Merkel enfrenta setor industrial e defende imposto nuclear

A chanceler alemã, Angela Merkel, manteve neste domingo seu plano de coletar um imposto de provedores de energia nuclear, colocando sua coalizão contra a indústria em um turbulento retorno aos assuntos do governo após uma pausa no verão europeu.

HOLGER HANSEN E SARAH MARSH, REUTERS

22 de agosto de 2010 | 18h12

O imposto nuclear é apenas um de vários assuntos polêmicos tratados por Merkel, que não conseguiu capitalizar a recuperação da maior economia europeia para obter apoio a suas reformas, incluindo cortes orçamentários e uma revisão no sistema militar.

Merkel disse que está aberta para a suspensão do serviço militar obrigatório na Alemanha, assunto de acalorados debates dentro da sua própria coalizão, que se tornou famosa pelas brigas internas.

Merkel espera que o imposto nuclear arrecade 2,3 bilhões de euros por ano como parte de um plano de austeridade no valor de 80 bilhões de euros, que ela está determinada a instaurar, tentando dar um exemplo de disciplina fiscal para os outros países da zona do euro.

"Propusemos um imposto," afirmou Merkel à televisão ZDF em sua primeira grande entrevista após o recesso do verão. "Como ainda não há outra proposta na mesa, o imposto permanece."

A chanceler defendeu o plano de impostos mesmo após membros da indústria e de seu próprio partido, a União Democrata Cristã (CDU), terem aumentado a pressão sobre ela na sexta-feira para que a governante desista da proposta.

Merkel, ex-ministra do Meio Ambiente no governo de Helmut Kohl, disse à ZDF que seu governo estava conversando com as empresas energéticas sobre outras possíveis propostas, mas afirmou que "ainda não vê nenhuma."

Embora o imposto nuclear seja parte de uma consolidação orçamentária, o governo de centro-direita de Merkel também esta se preparando para divulgar, no final de setembro, seu plano energético de longo prazo.

Pesquisas mostram que a maioria dos alemães são contra a utilização da energia nuclear, tornando esse assunto importante para o governo de Merkel, que prometeu estender o tempo de vida das estações de energia nuclear, mesmo ainda tendo que definir por qual período.

O ministro das Relações Exteriores, Guido Westerwelle, disse à televisão ARD, neste domingo, que é provável uma extensão de 10 a 15 anos.

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