Marcus Brandt/Efe
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Merkel proclama vitória e anuncia nova coalizão na Alemanha

'Foi uma derrota amarga', diz social-democrata; chanceler deve formar governo conservador com liberais

Efe ,

27 de setembro de 2009 | 16h03

A chanceler alemã, Angela Merkel, proclamou neste domingo, 27, a vitória de seu partido, a União democrata-cristã (CDU) nas eleições gerais, e anunciou seu propósito de formar um novo governo de coalizão com o Partido Liberal (FDP).

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"Conseguimos nosso objetivo de obter uma maioria estável e de poder formar Governo com os liberais", disse Merkel, depois que seu partido ganhou as eleições, com 33,6%, segundo os resultados ainda provisórios, enquanto o Partido Liberal (FDP) teria obtido 14,7%.

A premiê buscava um segundo mandato e mudar a coalizão que a mantém no poder, trocando os social-democratas por uma união de partidos de centro-direita. A Alemanha é um país parlamentarista. O partido vencedor das eleições deve formar uma coalizão para obter maioria no Parlamento.

 

Merkel anunciou seu propósito de se reunir amanhã com o líder liberal, Guido Westerwelle, para "fixar um primeiro calendário de conversas", e não deixou espaço para dúvidas de que a coalizão poderá ser definida em um espaço curto de tempo.

 

A premiê afirmou ainda que continuará sendo "a chanceler de todos os alemães" e que começará imediatamente a trabalhar, "porque há muitos problemas a resolver".

Apesar de a CDU ter obtido seu segundo pior resultado da história da República Federal da Alemanha - o pior foi em 1949 -, Merkel se mostrou satisfeita por seu partido ter conseguido manter a liderança.

Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, do Partido Social Democrata (SPD) havia reconhecido a vitória de Merkel. "Foi uma derrota amarga", disse Steinmeier. O SPD participa do governo alemão há 11 anos e obteve 22,5% dos votos, segundo as projeções. Foi  o pior resultado da história da legenda. O Partido Democrático Liberal, de centro direita, teve 15%. A União de Esquerda ficou com 12,5% dos votos, e o Partido Verde, com 10,5%.

 

Como funciona a votação

 

Os chamados mandatos adicionais são uma peculiaridade do sistema eleitoral alemão - os chamados mandatos adicionais - podem ser decisivos.

 

Seguindo o sistema misto alemão, a metade dos 598 deputados que deverá ter o próximo Parlamento Federal (Bundestag) serão eleitos por voto direto nas 299 circunscrições distribuídas em todo o território alemão enquanto a outra metade vai sair da lista dos partidos.

 

Cada eleitor tem um primeiro voto, que pode conceder a um dos candidatos que aspiram ao mandato direto de sua circunscrição, e um segundo voto que deve dar à lista de um dos partidos.

 

O segundo voto decide sobre a composição proporcional do Parlamento.

 

Pode acontecer de - quando surgem os mandatos adicionais - o número de mandatos diretos obtidos por um partido em um estado federado seja maior que o número de lugares que constam na lista regional.

Nesse caso, o número total de deputados do Parlamento aumenta para acomodar os deputados eleitos diretamente que não entrariam no Bundestag pela proporcionalidade.

 

Estes mandatos adicionais distorceriam em maior ou menor grau a composição do Parlamento favorecendo aos grande partidos, o Social Democrata e a União Democrata-Cristã, que dividem a grande maioria dos mandatos diretos.

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