Merkel quer acelerar abandono da energia nuclear na Alemanha

A chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel disse nesta quinta-feira que, depois da crise no Japão, quer acelerar o abandono da energia nuclear na Alemanha e negou acusações de que o fechamento de sete usinas atômicas pode ter sido ilegal.

DAVID STAM, REUTERS

17 de março de 2011 | 12h30

Merkel revogou esta semana uma decisão impopular de prorrogar o tempo de vida de usinas nucleares envelhecidas, atraindo críticas da oposição, que a acusou de estar apenas procurando evitar um grande revés eleitoral nas eleições regionais deste mês.

Discursando em uma sessão parlamentar tumultuada, Merkel disse que a energia nuclear ainda é uma fonte transicional de energia de baixo custo, a ser usada enquanto fontes de energia renovável continuam a ser desenvolvidas.

O governo ordenou por decreto na terça-feira o fechamento por pelo menos três meses de todas as usinas nucleares que começaram a operar antes de 1980, para que possam passar por avaliações de segurança, e qualificou a medida de "moratória".

"Vamos usar o período de moratória, que definimos propositalmente para que seja curto e ambicioso, para incentivar e acelerar onde for possível a mudança de política energética, pois queremos chegar à era da energia renovável no menor prazo possível", disse Merkel.

Ao impor a moratória, Merkel suspendeu uma decisão tomada pelo governo apenas no outono passado de prolongar a vida das 17 usinas nucleares da Alemanha para além de suas datas de fechamento originalmente previstas.

A decisão repentina atraiu críticas de dentro e fora do país. O ex-presidente da Corte Constitucional, Hans-Juergen Papier, observou que a indústria nuclear alemã é regida pela lei.

"Constitucionalmente, é desnecessário dizer que o governo federal não pode ordenar a revogação provisória de uma lei", disse ele ao jornal Handelsblatt. Indagado se a iniciativa do governo foi inconstitucional, ele disse "sim".

Em meio a vaias da oposição, Merkel disse repetidas vezes que a catástrofe no Japão, onde um terremoto e um tsunami provocaram uma crise no complexo nuclear de Fukushima, significa que a Alemanha enfrenta uma situação nova. Tudo foi feito legalmente, segundo a chanceler.

"A lei nuclear prevê precisamente isso: o fechamento temporário de uma usina até que as autoridades tenham chegado a um entendimento claro sobre uma situação nova", disse ela.

Merkel está sendo criticada até mesmo por seus partidários. O líder do Parlamento, Norbert Lammert, membro do partido conservador da chanceler, o CDU, indagou por que o Bundestag não tinha sido consultado.

O reator Isar 1, da Baviera, deve ser fechado na quinta-feira, informou sua operadora.

É provável que ele seja seguido pelo reator Neckarwestheim 1, da EnBW, alvo de protestos antinucleares e que se situa no Estado de Baden-Wuerttemberg, onde os conservadores de Merkel enfrentarão dificuldades na eleição de 27 de março.

Para compensar pelo fechamento das usinas nucleares, a Alemanha terá que elevar a produção de energia a partir de combustíveis fósseis, e a incerteza em relação aos planos de Merkel levou o custo dos alvarás de emissão de carbono a subir esta semana, chegando ao nível mais alto em dois anos e meio.

(Reportagem adicional de Stephen Brown, Tom Kaeckenhoff e Vera Eckert)

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