Merkel visitará Grécia em meio a caixa cada vez menor no país

A chanceler alemã, Angela Merkel, fará sua primeira visita à Grécia na próxima semana desde o início da crise da dívida da zona do euro, em uma demonstração de apoio a Atenas após o país ter dito que vai ficar sem dinheiro no final de novembro se não receber uma nova ajuda internacional.

ANNIKA BREIDTHARDT, Reuters

05 de outubro de 2012 | 12h14

O primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, saudou a viagem como um desdobramento muito positivo num momento em que seu país está travado em negociações com a zona do euro e os credores do FMI, que estão segurando cerca de 31,5 bilhões de euros (41 bilhões de dólares) em empréstimos com necessidade urgente.

"A chave é a liquidez. É por isso que a próxima parcela de crédito é tão importante para nós", disse Samaras ao jornal alemão Handelsblatt. Perguntado quanto tempo a Grécia poderia operar sem isso, ele respondeu: "Até o final de novembro. A partir daí, os cofres estão vazios.".

Um porta-voz do governo alemão afirmou que Merkel viajará para Atenas na terça-feira para sua primeira visita desde que a crise começou no final de 2009, quando o governo anterior revelou que a Grécia tinha subestimado enormemente seu déficit público.

"É uma viagem que naturalmente acontece com o pano de fundo desta situação muito difícil que a Grécia está enfrentando agora, o enorme ajuste e as medidas de reforma que moldaram a Grécia nos últimos dois anos", disse o porta-voz de Merkel Steffen Seibert, em entrevista coletiva.

"Vemos que os esforços de reforma aumentaram com o governo Samaras e queremos apoiar isso."

A visita parece sinalizar que a líder mais poderosa da Europa decidiu que é essencial manter a Grécia na zona do euro, apesar do repetido fracasso em cumprir as metas fiscais e os compromissos de reforma econômica em dois programas de resgate.

Merkel tem sido criticada em alguns meios de comunicação gregos por ditar austeridade devastadora para a Grécia. Um jornal a vestiu com um uniforme nazista em sua capa. A imprensa popular da Alemanha, enquanto isso, tem sistematicamente representado os gregos como fraudadores fiscais sem vontade de trabalhar.

"É a primeira vez em cinco anos que a chanceler alemã visita a Grécia. Esta visita...certamente será um importante passo para as futuras decisões europeias", afirmou o porta-voz do governo grego, Simos Kedikoglou, em um comunicado.

Sindicatos gregos convocaram uma paralisação trabalhista e um protesto em frente ao Parlamento durante a visita de Merkel, e um partido de extrema-direita contrário ao resgate --o Gregos Independentes-- fará uma manifestação na embaixada alemã.

MAIOR RISCO PARA MERKEL?

A crise da Grécia representa potencialmente o risco mais grave para as perspectivas de reeleição de Merkel no próximo ano, a menos que possa ser encontrada uma maneira de manter Atenas operando e evitar outra reestruturação da dívida antes da eleição geral alemã em setembro de 2013.

Em Bruxelas, uma autoridade sênior da zona do euro disse que nenhuma decisão seria tomada sobre a Grécia na próxima cúpula da União Europeia, em 18 e 19 outubro, porque o trabalho preparatório sobre as reformas gregas e a situação macroeconômica do país não estará prontos até lá.

Uma autoridade grega disse a jornalistas que as negociações com a chamada troika, composta por Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional, estavam se intensificando antes de uma reunião de ministros das Finanças da zona do euro em Luxemburgo na próxima segunda-feira.

As conversações têm sido dificultadas por diferenças graves entre os credores sobre a sustentabilidade da dívida da Grécia no longo prazo.

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