Metrô de Moscou exalta Stalin e revolta opositores

Uma estação de metrô de Moscou reformada e decorada com uma inscrição que cobre de louvores o ditador soviético Josef Stalin despertou a revolta da oposição e de grupos de direitos humanos nesta quinta-feira.

REUTERS

27 de agosto de 2009 | 18h34

O átrio da estação central de Kurskaya, adornado com um candelabro e mosaicos, agora ostenta uma frase de uma antiga versão do hino nacional soviético: "Stalin nos criou para sermos fiéis à nação, nos inspirou ao trabalho e aos grandes feitos".

Sergei Mitrokhin, líder do pequeno partido de oposição pró-ocidente Yabloko, pediu ao presidente russo que retire as palavras, classificando-as como "uma violação da memória de milhões de vítimas de Stalin".

Para Oleg Orlov, chefe do grupo de direitos humanos Memorial, a inscrição "é um gesto aberto e imprudente para a reabilitação total de Stalin", segundo nota do site de Garry Kasparov, ferrenho crítico do Kremlin (kasparov.ru).

Embora milhões de soviéticos tenham perecido durante o governo de Stalin em campos de trabalho ou de fome, o ditador ainda é reverenciado por muitos russos por derrotar os nazistas na Segunda Guerra Mundial. No ano passado, uma pesquisa o elegeu a terceira figura histórica mais popular da Rússia.

Um porta-voz do metrô russo defendeu a restauração: "Nós sempre trabalhamos para restaurar as coisas à sua forma original. Havia a mesma inscrição na época", disse ele sobre a estação construída em 1950.

(Reportagem de Amie Ferris-Rotman)

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