Mídia italiana critica comportamento de Gaddafi em visita a Roma

A tentativa do líder da Líbia, Muammar Gaddafi, de converter dezenas de jovens mulheres ao islamismo durante uma visita à Itália causou uma enfurecida reação da mídia italiana nesta segunda-feira.

JAMES MACKENZIE, REUTERS

30 de agosto de 2010 | 09h10

Diversos colunistas acusaram o primeiro-ministro Silvio Berlusconi de sacrificar princípios e sua dignidade pelas relações de comércio e investimento com a Líbia.

Gaddafi convidou um grande grupo de jovens mulheres, contratadas por uma organizadora de eventos, para uma recepção no centro cultural líbio em Roma, no domingo, e tentou convertê-las ao Islã.

"O que aconteceria se o chefe de Estado europeu fosse à Líbia ou a qualquer outro país islâmico e convidasse todos para que fossem convertidos ao cristianismo?", perguntou o jornal Il Messajero. "Acreditamos que provocaria uma forte reação no mundo islâmico."

Segundo informações na mídia, três mulheres teriam se convertido, mas não havia como verificar isso. O evento, que seria repetido nesta segunda-feira, ocorreu depois de uma recepção semelhante da qual participaram 200 mulheres em uma visita anterior de Gaddafi a Roma no ano passado.

Os laços entre a Itália e a Líbia prosperaram desde um acordo em 2008, pelo qual Berlusconi concordou em pagar 5 bilhões de dólares em reparações pelo domínio colonial italiano na Líbia no início do século 20.

A Itália é agora o principal parceiro comercial da Líbia e compra grande parte do petróleo e gás natural do país, situado no norte da África e rico em recursos de energia.

Mas muitos críticos não estão contentes.

"O interesse nacional não justifica e definitivamente não exige que qualquer um seja anfitrião para atos grotescos de palhaçadas", disse o La Sampa em um editorial.

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