Milhares de pessoas vão às ruas em apoio a Putin na Rússia

Milhares de simpatizantes do primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, foram às ruas neste sábado para apoiar sua volta ao Kremlin, uma semana antes do que provavelmente será o maior protesto até agora da oposição para exigir maior escolha política.

NATALIA SHURMINA, REUTERS

28 de janeiro de 2012 | 17h29

A polícia disse que cerca de 10 mil pessoas se reuniram em Yekaterinburgo, a quarta maior cidade da Rússia, com muitos chegando de ônibus e trens de cidades no cinturão industrial dos Urais para apoiar Putin antes da eleição presidencial de 4 de março.

Putin desfruta de forte apoio em muitas regiões russas, mas enfrenta críticas da classe média urbana, principalmente em Moscou e São Petersburgo. Excluída da política, a classe média russa foi para a Internet pedir reformas eleitorais urgentes.

Milhares de pessoas de vários partidos e outras, não filiadas a nenhuma organização política, devem participar de uma marcha de protesto em 4 de fevereiro para pressionar "por eleições justas" em Moscou, que foi aprovada pelas autoridades da cidade.

Milhares de pessoas protestaram em Moscou e em outras cidades em dezembro, pedindo uma nova eleição parlamentar, alegando que a vitória do partido Rússia Unida foi obtida através de fraude.

Em Yekaterinburg, manifestantes seguravam cartazes com slogans em que se lia "nós defendemos um amanhã estável", ao som de música pop e aproveitando comida e bebida de graça.

"Ônibus foram colocados para nós na fábrica, vimos listas com antecedência dos que iriam ao comício", disse Andrei Mandure, operária de uma fábrica de produtos químicos na cidade de Lesnoy. Putin não compareceu ao comício.

Trabalhadores do setor público também estavam na praça da estação ferroviária da cidade. Um deles, uma funcionária de 59 anos de uma escola infantil, que disse se chamar Yevgeniya, disse à Reuters que recebeu ordens de seu patrão para comparecer.

Putin, presidente de 2000-2008, quer garantir mais seis anos no poder em março. Ele mantém uma clara liderança nas pesquisas de opinião, com o comunista Gennady Zyuganov em um distante segundo lugar.

A exclusão do liberal Grigory Yavlinsky da lista por uma tecnicalidade enfureceu ainda mais a oposição, que diz que o Kremlin permitiu que o bilionário Mikhail Prokhorov entrasse na disputa para capturar votos de protestos sem representar uma ameaça a Putin.

"Não há bons candidatos. Yavlinsky foi banido. (então) quem mais a não ser Putin?", disse Sergei, um russo de 46 anos de Kirovgrad, quando questionado em quem votaria em março.

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