Milhares se reúnem em cerimônia para marcar centenário de batalha de Galípoli

Líderes e dignitários de Austrália, Nova Zelândia e Turquia lideraram uma marcha de milhares de pessoas na península de Galípoli, na Turquia, na madrugada deste sábado para marcar o 100º aniversário da batalha de Galípoli, batalha da Primeira Guerra Mundial que influenciou o destino das três nações.

REUTERS

25 de abril de 2015 | 17h18

A campanha de Galípoli afetou gerações de pessoas que choraram a morte de milhares de soldados da Divisão de Cabos do Exército da Austrália e da Nova Zelândia (Anzac, na sigla em inglês), massacrados por metralhadoras e pela artilharia enquanto lutavam para avançar em uma praia estreita.

Quando as forças aliadas se retiraram, derrotadas, ao fim de oito meses, a batalha havia cobrado mais de 130 mil vidas, 87 mil das quais do lado dos turcos otomanos, aliados da Alemanha imperial.

    O primeiro-ministro australiano, Tony Abbott, o premiê neo-zelandês, John Key e o príncipe Charles da Grã-Bretanha depositaram coroas de flores ao som de gaitas de fole em Anzac Cove, ao norte de onde os soldados da Anzac aportaram, diante de mais de 10 mil pessoas.

    Abbott falou à plateia, grande parte da qual passou uma noite fria em sacos de dormir para garantir um lugar no evento, sobre as vidas ceifadas em uma campanha que ajudou a forjar a identidade da Austrália.

   “Como toda geração desde então, estamos aqui em Galípoli porque acreditamos que os Anzacs representaram a nós, australianos, o que temos de melhor”, declarou. “É a perseverança dos que escalaram os rochedos sob uma chuva de fogo. É a compaixão das enfermeiras que atenderam os milhares de feridos.”

    Para a Turquia, Galípoli também é um marco nacional que prenunciou a ascensão de Mustafa Kemal Ataturk, jovem oficial que liderou a defesa e mais tarde fundou a Turquia moderna, uma república secular que emergiu das ruínas do império otomano.

    Jovens turcos percorreram a rota que o 57º regimento turco-otomano, o primeiro a entrar em ação, tomou de madrugada 100 anos atrás antes de sofrer derrotas pesadas em uma das batalhas mais sangrentas da Primeira Guerra.

    Galípoli também sinalizou a primeira vez em que soldados australianos e neo-zelandeses lutaram sob suas próprias bandeiras, emergindo da sombra do império britânico.

Os ex-inimigos de então hoje enfrentam a ameaça comum da violência de militantes islâmicos, o que levou a um reforço na segurança, especialmente depois de uma operação policial na cidade australiana de Melbourne na semana passada que teve por alvo um suposto complô para atacar as comemorações locais do evento deste sábado.

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