REUTERS|Albert Gea
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Governo catalão estima que milhões de pessoas votaram no plebiscito

Organizadores da consulta pública afirmam que urnas ficarão abertas até às 20h locais para permitir que todos possam votar; opositores falam em falta de controle sobre os eleitores e suspeitam que muitos independentistas votaram várias vezes

Andrei Netto, enviado especial / Barcelona, O Estado de S.Paulo

01 Outubro 2017 | 14h17
Atualizado 01 Outubro 2017 | 15h42

BARCELONA - O governo regional da Catalunha estimou em milhões o número de pessoas que teriam votado neste domingo, 1.º, no plebiscito proibido pela Justiça sobre a secessão da Espanha. A estimativa, que não foi especificada, indica que apesar da repressão da Guarda Civil e da Polícia Nacional, ordenada por Madri, a votação teria tido grande adesão do público. No sábado, as próprias autoridades catalãs estimavam que se 1 milhão votasse já seria uma vitória da causa independentista.

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As informações foram divulgadas por Jordi Turull, porta-voz do presidente regional da Catalunha, Carles Puigdemont. "Tudo nos leva a crer que, pela tendência que contabilizamos nessa noite, poderemos contar aos milhões", afirmou, em uma declaração que revela o caos organizacional em que a votação foi realizada. "Insistimos que todos podem votar e as urnas ficarão abertas até as 20h."

Por contrariar a Constituição espanhola, a votação foi declarada ilegal e objeto de repressão das polícias nacionais, enviadas pelo primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy.

O resultado é que 465 pessoas foram atendidas em hospitais da Catalunha, a maior parte em Barcelona. Contudo, o governo regional fala em mais de 700 feridos

Os ferimentos aconteceram em confrontos com as tropas de choque, que tinham a ordem de apreender urnas, cédulas eleitorais e equipamentos relativos ao plebiscito. 

Até o final da tarde, no horário local, 73% das 2,3 mil seções eleitorais abriram suas portas aos eleitores. Já o governo central estima que pelo menos 336 seções foram fechadas pelas forças de ordem.

Uma das queixas dos opositores ao plebiscito é a total falta de controle sobre os eleitores que votaram. A situação provocou suspeitas de que muitos independentistas tenham votado várias vezes, aproveitando-se da falta de fiscalização efetiva.

A votação havia sido proibida pelo Tribunal Constitucional da Espanha, que considerava as circunstâncias do pleito ilegais, e foi realizada pelo governo regional da Catalunha, dominado por militantes da causa independentista.

Segundo Jordi Turull, o governo da Catalunha espera que tribunais internacionais investiguem as circunstâncias da repressão ao plebiscito. "Atuação do Estado espanhol é uma vergonha internacional, um escândalo", afirmou, definindo o dia de hoje em Barcelona e no interior como "estado de sítio".

 

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