Miliband defende não divulgação de documento sobre tortura

Juízes britânicos acusam EUA de pressionar para que material sobre preso de Guantánamo não seja divulgado

Efe,

05 de fevereiro de 2009 | 15h01

O ministro de Assuntos Exteriores britânico, David Miliband, defendeu nesta quinta-feira, 5, a decisão de não divulgar uma informação confidencial americana sobre um caso de tortura a um dos detidos na base naval de Guantánamo, Cuba. Em declaração parlamentar, Miliband falou sobre a polêmica surgida no Reino Unido depois que dois juízes britânicos revelaram na quarta-feira que os Estados Unidos ameaçaram reconsiderar a cooperação em matéria antiterrorista com o Reino Unido se o material sobre o suposto terrorista viesse a público. Veja também:Juízes britânicos acusam EUA de esconder provas de torturaSaiba mais sobre a base naval de Guantánamo  A polêmica está centrada no caso do etíope Benyam Mohammed, ex-residente no Reino Unido e detido em Guantánamo, onde, segundo afirmou, foi torturado. O chanceler britânico explicou na Câmara dos Comuns que a divulgação dos documentos contra a vontade das autoridades americanas poderia causar "um dano real e significativo à segurança nacional e às relações internacionais deste país." Ele também negou que os EUA tenham ameaçado "romper" a cooperação em matéria de inteligência com o Reino Unido se os documentos fossem revelados. Os documentos contam detalhadamente sobre o tratamento que os EUA dedicaram a Mohammed, que acusou as agências de inteligência britânicas de cumplicidade na tortura. Os dois juízes - do Tribunal Superior da Inglaterra e Gales - disseram na quarta-feira que o material deveria permanecer em segredo, mas criticaram as autoridades dos EUA pela forma como tentaram impedir que a informação fosse divulgada. Segundo os juízes, os advogados que representam Miliband disseram que a ameaça continua vigente sob a nova administração do presidente Barack Obama. Mohammed, de 31 anos, está há mais de quatro anos em Guantánamo, acusado de conspirar com a rede terrorista Al-Qaeda para cometer atentados contra civis.

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