Militantes sequestram francês na Argélia e pedem fim de intervenção no Iraque

Um cidadão francês foi raptado no leste da Argélia no domingo, informou o Ministério das Relações Exteriores da França, e seus sequestradores divulgaram um vídeo ameaçando matá-lo se Paris não interromper sua intervenção no Iraque.

REUTERS

22 de setembro de 2014 | 20h57

Os Soldados do Califado, grupo ligado aos militantes do Estado Islâmico, publicaram o vídeo na Internet pouco depois do anúncio do ministério francês nesta segunda-feira, assumindo a responsabilidade pelo sequestro e mostrando um homem que se identificou como Hervé Gourdel, de 55 anos, da cidade de Nice, no sul da França.

O grupo disse que irá matar Gourdel se a França não frear sua atuação no território iraquiano. Mais tarde a pasta confirmou a autenticidade do vídeo.

O sequestro aconteceu poucas horas depois de o porta-voz do Estado Islâmico, Abu Muhammad al-Adnani, exortar os seguidores do grupo a atacar cidadãos dos Estados Unidos, França e outros países que se uniram à coalizão para destruir a facção radical.

“Um cidadão francês foi sequestrado no domingo, na Argélia, na região de Tizi Ouzou, onde passava as férias”, declarou o porta-voz adjunto do Ministério das Relações Exteriores, Alexandre Georgini.

Citando uma declaração do Ministério do Interior, a agência estatal de notícias argelina APS informou que o francês, que descreveu como guia montanhista, foi levado no vilarejo de Ait Ouabane quando viajava em um veículo com alguns argelinos.

O ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, disse nesta segunda-feira que a tomada do refém francês na Argélia não deterá a participação francesa na coalizão de países liderada pelos Estados Unidos contra militantes do Estado Islâmico, que tomaram grandes áreas de território no Iraque e na Síria.

"Faremos tudo que pudermos para libertar os reféns", afirmou o chanceler Fabius a jornalistas. "Mas um grupo terrorista não pode mudar a posição da França."

A França, que nesta segunda-feira aumentou o nível de ameaça em 30 de suas embaixadas no Oriente Médio e na África, lançou seus primeiros ataques aéreos contra alvos do Estado Islâmico no Iraque na sexta-feira, e afirmou que tudo deve ser feito para livrar a região do grupo.

(Por John Irish e Lamine Chikhi)

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