Militar da elite pode ter matado Jean Charles, diz jornal

Comissário-chefe da Scotland Yard, Ian Blair, será interrogado e terá que responder quem matou o brasileiro

Efe,

02 de setembro de 2007 | 07h09

O comissário-chefe da Scotland Yard, Ian Blair, terá de responder na próxima semana se foi um soldado do corpo de elite das SAS do Exército britânico, e não um policial, que matou o brasileiro Jean Charles de Menezes, revelou neste domingo, 2, o dominical Sunday Express. Jean Charles, que tinha 27 anos e trabalhava como eletricista, morreu no dia 22 de julho de 2005 na estação de metrô de Stockwell (sul de Londres) ao ser baleado por agentes que o confundiram com um terrorista suicida. A versão até o momento é a de que agentes da brigada antiterrorista da Scotland Yard foram os autores dos disparos, mas fontes militares asseguraram ao Sunday Express que estes foram feitos por soldados das SAS. Ian Blair se submeterá na quinta-feira a um duro interrogatório sobre esse assunto em reunião da Autoridade da Polícia Metropolitana, no qual será analisada ainda a possibilidade de abrir expediente disciplinar a dois altos comandantes da Scotland Yard. Uma investigação oficial divulgada em agosto revelou que o subcomissário encarregado das operações especiais da Scotland Yard, Andy Hayman, "mentiu" à opinião pública ao não informar a tempo a seus superiores, entre eles o comissário-chefe da força policial, Ian Blair, que um inocente tinha sido morto. Dessa maneira, Blair permaneceu "quase totalmente desinformado" sobre os detalhes do ocorrido, de acordo com as conclusões do segundo relatório sobre o caso elaborado pela Comissão Independente de Queixas à Polícia (IPCC). O relatório da IPCC, que supervisiona o trabalho das forças da ordem no Reino Unido, afirma que a Polícia Metropolitana administrou com "graves deficiências" o caso Jean Charles. A Procuradoria do Estado decidiu não apresentar acusações contra os agentes que participaram do tiroteio argumentado que não existiam "provas suficientes", e apenas acusou a Polícia Metropolitana em seu conjunto de violar a Lei de Saúde e Segurança no Trabalho.

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