Militares de alta patente aprendem leis humanitárias na Suíça

Oficiais de alta patente das ForçasArmadas de quase 60 países, do Sudão ao Sri Lanka, regressarama um campo de treinamento no neutro território suíço a fim detomarem novas lições sobre as regras da guerra. Nesse evento, co-dirigido pelo Exército da Suíça e peloComitê Internacional da Cruz Vermelha (ICRC), os oficiais foramlembrados de que suas forças precisam evitar atingir civis ouas propriedades deles durante conflitos armados. O curso oferecido em instalações do Exército suíço visagarantir que os soldados, a polícia e outras forças obedeçam àsregras humanitárias internacionais constantes das Convenções deGenebra aprovadas em 1949. "Podemos ter leis a respeito disso. Mas se não formoscapazes de traduzir isso em exercícios e procedimentos a seremseguidos pelos soldados quando em operação, então elas nãoterão muita importância", afirmou à Reuters Tim Yates,conselheiro militar do ICRC e um dos organizadores do evento emGenebra. "Já que as forças militares são uma instituiçãohierárquica, quando há mudanças, elas costumam acontecer decima para baixo", disse Yates, um oficial aposentado doExército britânico. O primeiro curso do ICRC para comandantes militares de altapatente acontece no momento do 30o aniversário dos ProtocolosAdicionais às Convenções de Genebra, que fixam as regras deconduta em situações de conflito. Entre essas regras, há o princípio básico de diferenciar oscivis dos combatentes e as propriedades de civis dos alvosmilitares. Os ataques contra civis são proibidos pelos pactos,que tratam tanto de conflitos internos quanto de conflitosinternacionais. Isabelle Veilleux, uma tenente-coronel do Canadá, é a únicamulher entre os 56 participantes vindos de todos os continentese que concluíram na sexta-feira sua primeira semana de curso. O vice-presidente do ICRC, Olivier Vodoz, afirmou aosoficiais que é "dever dos soldados" proteger os civis, a quemdescreveu como as maiores vítimas dos 80 conflitos atualmentetravados no mundo todo. "Nada pode servir de desculpa para assassinatos, estupros,saques e ações humilhantes. Nada", afirmou, no discurso deabertura do evento, na segunda-feira. Os participantes, todos vestidos com seus uniformesnacionais e suas medalhas, assistem a aulas dadas pormajores-generais e coronéis, além de discutirem em gruposmenores casos hipotéticos de guerra nos quais a lei humanitáriase aplica. Com sede em Genebra, o ICRC é uma organização independenteencarregada de fornecer proteção humanitária e de ajudar asvítimas da guerra e da violência armada. Seu quadro defuncionários, que reúne 12 mil pessoas, ajuda os prisioneiros,os feridos, os doentes e os civis de um modo em geral atingidospelos conflitos. O ICRC também coordena o trabalho da Cruz Vermelha e doCrescente Vermelho em situações de conflito. (Reportagem de Stephanie Nebehay)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.