Mineiros da Espanha marcham contra medidas de austeridade

Milhares de mineiros, cantando e lançando fogos de artifício, marcharam pelo centro de Madri nesta quarta-feira em protesto contra medidas de austeridade do governo, mas o primeiro-ministro, Mariano Rajoy, anunciou uma nova série de impostos e cortes de gastos.

CLARE KANE E EMMA PINEDO, Reuters

11 de julho de 2012 | 12h03

Ao lado de sindicalistas na capital, os mineiros marcharam fazendo barulho no clímax de um protesto de 44 dias contra um corte de 60 por cento em subsídios ao carvão que, segundo eles, vai causar o fechamento de minas e deixar muitos sem trabalho.

"Nós estamos apenas pedindo para cortar 10 por cento em vez de 60", disse Carlos Marcos, de 41 anos, mineiro há 23 anos. "Se não prestarem atenção em nós, voltaremos -- com dinamite."

Alguns dos mineiros na "marcha negra" haviam caminhado 400 quilômetros a partir do norte da Espanha. Muitos carregavam bengalas de madeira.

"Temos que tomar as ruas para lutar, porque está chegando o momento em que não teremos o suficiente para comer", disse o mineiro José Ramon Pelaz, de 38 anos.

O premiê Rajoy, de centro-direita, delineou medidas de austeridade no Parlamento para economizar 65 bilhões de euros (79,66 bilhões de dólares), incluindo um aumento no imposto sobre valor agregado nas vendas e cortes no orçamento para os ministérios do governo.

Os manifestantes marcharam pela principal avenida empresarial da cidade, Paseo de la Castellana, até o Ministério da Indústria, com cartazes com slogans como "Rajoy, seu futuro é mais escuro do que o nosso carvão", cantando músicas barulhentas e gritando: "Sim, nós podemos".

Estrondos de fogos de artifício eram frequentes.

Alguns dos mineiros que marcharam pelo norte da Espanha desde junho vieram das Astúrias, um centro tradicional da militância esquerdista.

Os mineiros se reuniram em Puerta del Sol, em Madri, o ponto central da Espanha, nas primeiras horas de quarta-feira, com o caminho iluminado pelas luzes de seus capacetes. Eles foram recebidos por milhares de espanhóis que apareceram por simpatia ao movimento.

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