Divulgação/ Página Oficial (adrewgriffithsmp.com)
Divulgação/ Página Oficial (adrewgriffithsmp.com)

Ministro britânico renuncia ao cargo por assédio sexual

Mensagens virtuais, vazadas e divulgadas pela imprensa do Reino Unido, revelaram perseguição sexual do político Andrew Griffiths a duas garçonetes

O Estado de S.Paulo

15 Julho 2018 | 09h46

O ministro do Reino Unido Andrew Griffiths, membro do Partido Conservador e responsável pelo fomento a pequenos negócios e relações de consumo no governo britânico, renunciou ao cargo neste domingo, 15, após vazamento de pelo menos 2 mil mensagens de cunho sexual, em três semanas, a duas garçonetes, que revelaram assédio e perseguição sexual do político de 47 anos.

 "Meu comportamento causou um sofrimento incalculável a minha mulher e minha família, aos quais devo tudo", disse o político, em um comunicado sobre sua renúncia do governo britânico. Dois casos recentes, envolvendo o ex-vice-premiê e o ex-ministro da Defesa do Reino Unido, são outros exemplos que colocam o governo britânico em alerta acerca de um histórico de escândalos sexuais.

A garçonete Imogen Treharne, de 28 anos, contou ao jornal Sunday Mirror que trocou várias mensagens com Griffiths e eles quase tiveram um encontro sexual junto a uma amiga, em um flat que ele mesmo alugaria. O ministro chegou a mandar a elas cerca de 700 libras em troca de fotos e vídeos sensuais.

+++ Pelo menos 40 deputados britânicos são acusados de assédio sexual

A jovem afirmou à publicação britânica que no começo das conversas parecia algo casual. No entanto, ela disse que tentava desvencilhar o conteúdo das mensagens a outros assuntos para conhecê-lo melhor, mas que “a conversa sempre voltava ao sexo". As mensagens, cujo conteúdo foi revelado pelo Sunday Mirror, foram consideradas “repugnantes” por Treharne.

“No começo achei que ele era um cara legal, mas depois me senti suja pelo que ele falava e também me senti usada, como um troféu”, disse a garçonete. Além disso, Treharne afirmou que todos os dias, durante três semanas de conversas, Griffiths não parava de acompanhar e comentar cada post em redes sociais, como Instagram, Snapchat, WhastApp e Facebook.

+++ Ministro da Defesa britânico renuncia após acusações de assédio sexual

“Nunca ninguém me mandou tantas mensagens em três semanas. Eu tinha que botar o celular em modo avião. Era chocante. Eu ficava me perguntando como ele tinha todo esse tempo livre e se sobrava espaço para trabalhar. Era de manhã até a hora de dormir mandando mensagens”, contou Imogen Treharne.

A perseguição a ela e sua amiga foi descrita por Imogen Treharne como vulgar e possessiva. “Eu sabia que eu estava sendo constantemente observada. Tudo que eu colocava na internet, qualquer foto. Isso estava beirando à possessividade. Ele queria controlar tudo. Por isso fiquei preocupada em levar isso adiante”, disse ao Sunday Mirror.

+++ Vice-premiê do Reino Unido renuncia ao cargo por causa de pornografia

Arrependimento

O ministro, que é casado e pai de uma filha desde abril, era ironicamente um apoiador assíduo da entrada de mais mulheres no Partido Conservador e no parlamento britânico, por meio da campanha “Women 2 Win”. Mostrando arrependimento do envio de mensagens sexualmente depravadas às duas mulheres, Griffits se desculpou com seus eleitores, com a primeira-ministra Theresa May e com todo o parlamento, em comunicado ao jornal britânico:

Estou profundamente envergonhado com o meu comportamento, que causou incalculável sofrimento à minha esposa e família, a quem devo tudo, e profunda vergonha à primeira-ministra ao governo pelo qual tenho tanto orgulho de servir.

Entreguei minha renúncia ao cargo ao fazer referência aos procedimentos do Código de Conduta do Partido Conservador.  Desejo pedir desculpas à minha associação de distrito e ao povo de Burton que tenho a honra de representar. Buscarei ajuda profissional para garantir que isso nunca aconteça novamente.

Com o tempo, espero ganhar o perdão de todos aqueles que confiam em mim e que desapontei tão terrivelmente. O primeiro-ministro e o governo continuarão a ter todo o meu apoio.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.