Ministro da Defesa francês diz não crer em suborno ao Taleban

'Times' publicou reportagem que indica que tropas da Itália pagaram milícia para cessar ataques

Reuters,

16 de outubro de 2009 | 10h48

O ministro da Defesa da França, Hervé Morin, reagiu com descrença nesta sexta-feira, 16, à ideia de que um Exército poderia pagar para que o Taleban deixe de atacar, depois de um jornal britânico acusar a Itália de realizar tal prática.

O jornal Times, de Londres, publicou na quinta-feira, 15, que o serviço secreto italiano entregou dezenas de milhares de dólares a comandantes do Taleban e de outras milícias afegãs para manter segura a zona onde tropas italianas estavam estacionadas.

Segundo o diário, os soldados franceses, sem saberem do pagamento e levando pouca munição por acreditarem que se tratava de uma área calma, foram surpreendidos por uma emboscada dos insurgentes em agosto de 2008, que matou dez soldados. O governo italiano rejeitou furiosamente a reportagem.

Falando a jornalistas durante visita a bases francesas no Índico, Morin pareceu incrédulo e negou que o pagamento ao Taleban seja prática comum no Afeganistão. "Não tenho razão para questionar a palavra do governo italiano", disse ele. "O Exército francês jamais participaria de tais práticas. Pagar ao Taleban em troca de paz vai contra os princípios de honra sobre os quais um Exército se funda", completou.

O ministro ainda argumentou que a "ideia de que um Exército poderia pagar pessoas que deveria combater seria obviamente um péssimo sinal", já que demonstraria que o Exército "não seria capaz de realizar sua missão".

Simpatizantes do premiê italiano, Silvio Berlusconi, planejam realizar um protesto na sexta-feira em frente à sede do Times. Na sexta-feira, o jornal publicou uma segunda reportagem, citando um comandante do Taleban e duas autoridades afegãs que teriam confirmado a notícia inicial. O ministro italiano da Defesa qualificou de "lixo" a reportagem do Times, e prometeu processar o jornal.

A violência no Afeganistão atinge o maior nível dos últimos anos, e os EUA cogitam o envio de reforços, algo que seus aliados europeus relutam em considerar. Itália e França, dois dos principais participantes da força da Otan no Afeganistão, têm cerca de 3 mil soldados cada no Afeganistão. Em entrevista publicada na sexta-feira, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse que não enviará reforços. A Itália também já minimizou tal hipótese.

Morin disse que investimentos em habitação, obras públicas e escolas estimulariam os próprios afegãos a pressionarem o Taleban. "A vitória não pode ser meramente militar", disse.

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