Ministro da Justiça italiano renuncia após prisão da esposa

Sandra Lonardo é acusada de pedir favores para diretor de hospital para benefício próprio

Efe,

16 de janeiro de 2008 | 10h59

O ministro da Justiça italiano, o democrata-cristão Clemente Mastella, de 61 anos, anunciou nesta quarta-feira, 16, a sua renúncia, poucos minutos depois de um juiz ter ordenado a prisão domiciliar de sua esposa, Sandra Lonardo. Apesar da saída, o partido de Mastella afirmou que não pretende retirar o apoio ao primeiro-ministro Romano Prodi. Sandra é presidente do Conselho Regional da região de Campânia (sul), cuja capital é Nápoles, e foi acusada de uma suposta tentativa de concussão (cobrança indevida e arbitrária feita por um funcionário público em proveito próprio). Segundo fontes judiciais, a detenção faz parte de uma investigação sobre os serviços de saúde na região. A esposa de Mastella teria pedido favores do diretor-geral do Hospital de Caserta, localidade próxima a Nápoles. "Renuncio. Entre o amor pela minha família e o poder, escolho a família. Renuncio para ser mais livre humana e politicamente", disse Mastella, líder do partido governamental democrata-cristão Udeur, na Câmara dos Deputados, e que há meses travava uma queda-de-braço com a magistratura. Ele acrescentou que, após ter trabalhado dia e noite para demonstrar sua "credibilidade e boa fé como interlocutor de confiança no mundo da Justiça", se deu conta de que foi visto "por algumas facções extremistas" da magistratura como um "inimigo a ser abatido". Por enquanto ainda não foram revelados outros dados. Segundo Mauro Fabris, chefe dos deputados do Udeur, o grupo de legisladores está "desconcertado". Sandra Lonardo afirmou que soube da notícia pela televisão, "o que é desagradável", e que ainda não recebeu nenhuma notificação oficial. "Estou calma e não tenho nada a temer. Darei à autoridade judicial todos os esclarecimentos que me pedir. Acho que este é o amargo preço que eu e meu marido estamos pagando pela defesa dos valores católicos na política e dos princípios de tolerância contra qualquer extremismo". Em outubro, fontes judiciais revelaram que Clemente Mastella está sendo investigado pela procuradoria de Catanzaro (sul), que o inscreveu no registro de interrogados por um suposto crime de abuso de poder e de violação da lei sobre a maçonaria secreta. Os interrogatórios fazem parte da chamada operação "Why Not", dirigida pelo procurador de Catanzaro Luigi De Magistris, sobre um suposto caso de enriquecimento ilegal de empresas e de supostos "homens próximos" ao chefe do governo, Romano Prodi, às custas de financiamentos da União Européia (UE). Esses políticos e empresários teriam criado um comitê com base em San Marino, onde supostamente "lavavam" o dinheiro dos financiamentos ilícitos recebidos. O comitê estaria relacionado, de acordo com as fontes, com uma loja maçônica. Mastella, segundo as fontes, está sendo investigado por suas supostas relações com o empresário Antonio Saladino, personagem central do caso e dono da empresa de trabalho temporário "Why Not", que dá nome à operação. O primeiro-ministro Romano Prodi também é investigado no caso, segundo a revista semanal Panorama, que publicou que as pesquisas são concentradas em "abuso de poder".

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