Joel Saget/Reuters
Joel Saget/Reuters

Ministro francês nega acusações de pedofilia e turismo sexual

Livro de Frederic Mitterrand sobre aventuras sexuais em Bangcoc volta à tona após ele defender Polanski

Agência Estado e Associated Press,

08 de outubro de 2009 | 17h48

O ministro da Cultura da França, Frederic Mitterrand, negou em entrevista à televisão na noite desta quinta-feira, 8, as acusações de pedofilia e que tenha pago meninos na Tailândia para fazer sexo, numa defesa às críticas da esquerda e da direita que pediram que ele renuncie ao cargo. "Eu condeno o turismo sexual, que é uma desgraça. Eu condeno a pedofilia, da qual eu nunca participei", disse o ministro. "Todos que me acusam disso deveriam estar envergonhados", afirmou.

 

Ele disse ter recebido apoio do presidente francês Nicolas Sarkozy e afirmou que continuará no cargo. "Nós precisamos não confundir a pedofilia com a homossexualidade", afirmou Mitterrand ao canal TF1. Quando questionado se cometeu um erro ao pagar por sexo com "meninos" na Tailândia, ele respondeu: "Um erro, sem dúvida. Um crime, não. Sempre estive com pessoas que eram da minha idade, ou que eram cinco anos mais novas - e que consentiram", afirmou. O ministro disse que já pagou para fazer sexo, mas apenas com homens.

 

Frederic Mitterrand está lutando para manter o cargo em meio ao tumulto sobre um livro escrito por ele em 2005 no qual detalha os bordéis de Bangcoc e o prazer e a liberdade de pagar "meninos" para fazer sexo. O ministro afirmou na noite desta quinta que o livro não é autobiográfico. Os relatos de Mitterrand voltaram a assombrá-lo depois que ele saiu em defesa do diretor de cinema Roman Polanski, detido na Suíça por acusações feitas nos Estados Unidos por ter mantido relações sexuais com uma menina de 13 anos quando ele tinha 43.

 

A situação é complicada para a França e especialmente para o presidente Nicolas Sarkozy. A adesão de não-conservadores como Mitterrand a seu governo tem irritado seu partido, o UMP. Os críticos de Mitterrand dizem que ele fez relatos de turismo sexual infantil, tema de uma campanha do governo francês. Por outro lado, também envolve a vida sexual de um político, o que para muitos franceses é considerado assunto particular, além do reconhecimento da homossexualidade por uma figura pública.

 

Sarkozy, que nomeou Mitterrand seu ministro da Cultura quatro meses atrás, ainda não falou sobre o livro. O partido de extrema direita Frente Nacional admitiu que saiu em busca de assuntos que pudessem incriminar Mitterrand após sua defesa de Polanski. "Frederic Mitterrand deve deixar o cargo porque sua presença no governo como representante da França é uma mancha indelével para todo o mundo", disse a vice-presidente da Frente Nacional, Marine Le Pen.

 

Os partidos de esquerda também querem a saída do ministro. O socialista Arnaud Montebourg disse nesta quinta-feira que Mitterrand "agiu deliberadamente em violação das leis nacionais e internacionais" e pediu a Sarkozy e ao primeiro-ministro Francois Fillon que o demitam. "É impossível que um ministro que representa a França encoraje a violação de seus próprios compromissos internacionais para lutar contra o turismo sexual", disse Montebourg em comunicado.

 

O livro, "La mauvaise vie" ou "A vida má", é descrito como uma autobiografia e inclui piadas sobre sua própria família e suas viagens. Mitterrand relembra que era ridicularizado na infância por seus colegas e ter se metido em confusões por causa de sua atração por outros meninos. Pouco depois da publicação do livro, Mitterrand disse à rede televisão France-3 que não era pedófilo e usou o termo "meninos" de forma livre.

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