Lucas Dolega/Efe
Lucas Dolega/Efe

Ministro francês nega envolvimento no escândalo da L'oréal

Erich Woerth negou ter recebido qualquer financiamento político da bilionária Liliane Bettencourt

29 de julho de 2010 | 17h55

PARIS- O ministro do Trabalho francês, Eric Woerth, prestou nesta quinta-feira, 29, um longo depoimento à Polícia francesa sobre seu suposto envolvimento no "caso Bettencourt", negando todas as alegações que foram feitas contra ele.

 

Após as cerca de oito horas de interrogatório, realizado na sede do Ministério do Trabalho, o advogado do ministro, Jean-Yves Le Borgne, falou à imprensa que as respostas de seu cliente devem servir para que, de agora em diante, ele fique "fora da polêmica".

 

Eric Woerth depôs, em qualidade de testemunha, sobre várias das investigações judiciais abertas referentes ao escândalo protagonizado pela bilionária herdeira da L'Oréal, Liliane Bettencourt, de 87 anos, suspeita de evasão fiscal.

 

As questões se centraram nos três pontos que o envolvem: o suposto financiamento ilegal proveniente da bilionária a seu partido, União por um Movimento Popular (UMP); o tratamento a Bettencourt relativo aos impostos da bilionária quando Woerth era ministro do Orçamento; e sua suposta intervenção para que sua esposa

fosse contratada pela sociedade que administra a fortuna de Bettencourt.

 

Sobre o suposto financiamento ilegal do partido governista UMP, do qual foi tesoureiro até poucos dias atrás, Woerth "negou ter recebido qualquer financiamento político que não fosse conforme a lei", disse o advogado.

 

Ele rejeitou essas alegações com "um vigor e uma energia particular", segundo Le Borgne, porque não são mais que "mentiras e fantasmas".

 

Também deixou muito claro, de acordo com o advogado, que "em nenhum momento interveio para que sua esposa fosse contratada" pelo gabinete que administra a fortuna de Bettencourt.

 

Reconheceu, no entanto, que tinha mencionado a profissão de sua esposa, "no transcurso de uma conversa banal" com o gerente Patrice de Maistre, mas esclareceu que essa conversa ocorreu quando ele não era ministro.

 

Foi um longo interrogatório que o ministro esperava com impaciência porque, como lembrou seu advogado, tinha declarado em várias ocasiões seu interesse em desvendar todos os rumores e explicar aos investigadores sua versão dos fatos.

 

A partir de agora, Le Borgne ressaltou esperar que se ponha fim a todas as alegações e "mentiras" que nas últimas semanas alimentaram uma espécie de "novela".

 

"A Justiça dirá, em um futuro que espero que seja o mais breve possível, que as explicações de Eric Woerth o deixam completamente fora da polêmica que conhecemos", concluiu o advogado.

 

O ministro do Trabalho não quis falar hoje com a imprensa, mas já disse em reiteradas ocasiões que é inocente de todas as acusações que o envolvem nesta trama, com inúmeras ramificações políticas e econômicas.

 

Desde que o escândalo surgiu, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, mostrou seu total apoio e confiança em um de seus ministros mais valorizados, que também é o encarregado de um dos projetos prioritários do chefe de Estado, a controversa reforma da previdência.

 

Além de Woerth, a polícia interrogou nos últimos dias, no marco da mesma investigação, sua esposa Florence e inclusive a grande protagonista da polêmica, Liliane Bettencourt.

 

A dona do império L'Oréal é a que se encontra em meio a uma trama que veio à tona quando sua única filha, Françoise Meyers-Bettencourt, recorreu aos tribunais para pedir uma tutela judicial para a mãe, argumentando que não estava em condições de gerir sua fortuna.

 

A filha também denunciou o fotógrafo François-Marie Banier, amigo da bilionária, por se aproveitar economicamente dela.

 

O conflito familiar ocasionou um escândalo que começou a crescer com o vazamento do conteúdo de gravações secretas de mordomos e declarações de ex-assessores fiscais da bilionária, a terceira mulher mais rica da França.

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