Ministro russo pede política externa menos agressiva

O ministro russo das Finanças, AlexeiKudrin, e o presidente da estatal de eletricidade, AnatolyChubais, fizeram na quarta-feira um raro apelo público pormudanças na agressiva política externa do Kremlin, alegando queela afeta os investimentos estrangeiros no país. O presidente Vladimir Putin mantém nos últimos anos umapolítica voltada para o fortalecimento das Forças Armadas e comcríticas aos Estados Unidos por causa do seu escudo antimísseisno Leste Europeu, da guerra do Iraque e do apoio àindependência de Kosovo. Discordâncias internas no governo russo raramente sãotratadas em público como fizeram Kudrin e Chubais emdeclarações num fórum de investidores. "Nossa dependência em relação aos laços econômicos globais,às nossas exportações, é sentida muito fortemente, a ponto deque no futuro próximo precisaremos ajustar os objetivos danossa política externa para garantir investimentos estáveis",afirmou Kudrin. Nos próximos anos, devido ao aumento das exportações e àestagnação da produção de petróleo, o hoje expressivo superávitem conta corrente da Rússia deve ser reduzido a zero. Issoaumentaria a dependência do país em relação ao capital externo. Kudrin defendeu que a Rússia exerça sua política externapor meio de uma maior cooperação internacional, aderindo àOrganização Mundial do Comércio, por exemplo. Chubais, que é aliado de Kudrin e foi chefe de gabinete doKremlin na década de 1990, foi ainda mais direto em seuscomentários, qualificando como insustentáveis as atuaispolíticas agressivas num ambiente de redução do superávit. "Realmente temos de pensar em quanto nossa política externacusta para nossa economia", disse ele no evento, organizadopelo banco russo de investimentos Troika Dialog. Chubais criticou particularmente a decisão do governo defechar dois institutos culturais ligados ao governo britânico,em mais um capítulo da "guerra fria" entre Moscou e Londres porcausa do assassinato, em 2006, do ex-espião russo AlexanderLitvinenko, que estava exilado na Grã-Bretanha. "Se quisermos, podemos continuar perseguindo o BritishCouncil e a fechar seus escritórios em São Petersburgo. Este éum fato repugnante." A chancelaria russa não quis comentar as declarações dosfuncionários, que analistas viram como um sinal das disputas depoder entre os "clãs" do Kremlin antes da eleição presidencialde março, na qual o favorito é o candidato de Putin, DmitryMedvedev. (Reportagem adicional de Oleg Shchedrov, Simon Shuster eGuy Faulconbridge)

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