Ministros da UE apóiam plano francês contra a imigração ilegal

Ministros da União Européiaapoiaram na segunda-feira as propostas francesas por umapolítica comum contra a imigração ilegal, que eles esperamadotar já em outubro, apesar das acusações de xenofobia vindasde fora do bloco. A Espanha se disse satisfeita com as mudanças no "PactoEuropeu sobre Imigração e Asilo", discutido por ministro deRelações Exteriores dos 27 países da UE em Cannes.Anteriormente, Madri manifestava preocupação com as propostasque proíbem anistia geral para imigrantes ilegais. A França quer fazer da unificação da política de migraçãouma prioridade do seu semestre na Presidência do bloco europeu.O ministro da Imigração, Brice Hortefeux, disse em entrevistacoletiva que a proposta recebeu apoio unânime e pode seraprovada na cúpula de meados de outubro, depois de pequenasalterações. Pelo projeto, os países se comprometem a endurecer ocombate à imigração ilegal, mas a promover a migração legal euma política comum de asilo para vigorar a partir de 2010. Hortefeux disse que o aval dos ministros ao acordo foi"histórico", e que o projeto é "coerente, equilibrado e justo". "A Europa não será uma fortaleza, nem uma peneira que deixatudo passar. Será capaz de dar um basta à imigração ilegal",afirmou. A Espanha insistia que a "regularização" de 700 milimigrantes, oferecida em 2005, não poderia ser considerada umaviolação das regras. Na semana passada, depois de uma visita deHortefeux a Madri, foi retirado o artigo contra anistiasgerais, embora ainda conste ali que as legalizações devem sedar "caso a caso". A Suécia ainda quer que o texto seja ampliado de modo aincentivar a contratação de estrangeiros legais em qualquercampo de trabalho no qual haja escassez de mão-de-obra, aoinvés da atual ênfase na mão-de-obra "altamente qualificada". "Não precisamos só de altamente qualificados, mas também deoperários da construção e outros", disse à Reuters o secretáriosueco de Justiça, Gustaf Lind, ressalvando que Estocolmo apóiaos termos gerais do acordo e espera sua aprovação com poucasmudanças. A Espanha temia uma reação inflamada da América do Sul,cujos presidentes já criticaram as novas regras da UE queautorizam a prisão de imigrantes clandestinos por até 18 mesese veda sua volta ao bloco num prazo de até cinco anos. A presidente argentina, Cristina Kirchner, disse se lembrarde "tempos de xenofobia", enquanto o venezuelano Hugo Chávezafirmou que a Europa havia "legalizado a barbárie". Ele ameaçoususpender a venda de petróleo à UE e cancelar investimentos depaíses europeus na Venezuela. Hortefeux disse que a preocupação com a imigração foi umdos principais fatores que levaram o eleitorado irlandês arejeitar um novo tratado constitutivo da UE, em junho. Aministro irlandês da Justiça, Dermot Ahern, disse em Cannes queDublin está "favoravelmente inclinada" à proposta francesa. A Comissão Européia estima haver até 8 milhões deimigrantes ilegais no bloco. Mais de 200 mil deles foramdetidos no primeiro semestre de 2007, e menos de 90 mil foramexpulsos.

DAVID BRUNNSTROM, REUTERS

07 de julho de 2008 | 19h08

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