Ministros gregos fazem apelo a parlamentares por plano fiscal

Ministros gregos exortaram membros indecisos do Partido Socialista neste sábado a fazer o seu trabalho em uma crucial votação no Parlamento na próxima semana, pedindo que os congressistas apoiem medidas de austeridade que os credores do país exigem como contrapartida para conceder novos empréstimos.

HARRY PA, REUTERS

25 de junho de 2011 | 11h31

O ministro das Finanças, Evangelos Venizelos, ofereceu-se para conversar com qualquer parlamentar que tenha preocupações sobre o projeto. "Creio que o senso de responsabilidade vai prevalecer no fim, o Deus da Grécia é grande," afirmou o ministro à emissora de televisão Alter.

Com a maioria do primeiro-ministro, George Papandreou, reduzida a apenas alguns poucos votos, um deputado do Partido Socialista (PASOK) afirmou na sexta-feira que votaria contra as medidas, juntando-se a outro rebelde da legenda, que anunciou sua oposição neste mês.

O pacote com corte de gastos, privatizações e aumento de impostos pedidos pelos credores internacionais para reduzir o enorme déficit público da Grécia causou revolta entre a população grega, que tomou as ruas em protestos diários.

Uma greve geral de dois dias está programada para a próxima semana, para coincidir com as votações, após uma série de greves em empresas, inclusive a PPC, a maior produtora de energia na Grécia, que é candidata a ser privatizada no próximo ano.

Sem poder pegar emprestado no mercado devido ao péssimo estado de suas finanças públicas, a Grécia depende de ajuda internacional para evitar ir à bancarrota nos próximos dias, um acontecimento que poderia causar grandes problemas à economia mundial.

Mas os credores internacionais exigiram um comprometimento claro para reformas e, se o Parlamento não aprovar as medidas de austeridade nos dias 29 e 30 de junho, a União Europeia e o FMI (Fundo Monetário Internacional) pode se recusar a liberar um vital financiamento de 12 bilhões de euros que a Grécia necessita imediatamente, ou poderá não aprovar um novo pacote de ajuda.

Atenas aceitou um pacote de 110 bilhões de euros da UE e do FMI em maio de 2010, mas agora precisa de um segundo auxílio de valor similar para cumprir com suas obrigações financeiras até o final de 2014, quando espera voltar ao mercado de capitais para buscar financiamentos.

O ministro da Justiça, Miltiadis Papaioannou, exortou seu colegas no Congresso a apoiar as impopulares medidas. "Eles precisam tampar seus ouvidos para todas as críticas que estão recebendo e fazer o seu trabalho," afirmou, em entrevista à emissora de televisão Mega.

Apesar da grande pressão de líderes europeus, incluindo a chanceler alemã, Angela Merkel, o partido de oposição Nova Democracia recusou-se a apoiar o pacote, o que significa que dois ou três votos para cada lado podem decidir o resultado.

O governo de Papandreou agora tem 155 assentos, sendo que o Parlamento possui 300. As medidas de austeridade custaram aos Socialistas cinco deserções desde as eleições, em outubro de 2009, quando a legenda tinha 160 parlamentares.

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