Ministros veem saída da Grécia da zona do euro como 'absurdo'

Ministros de Finanças da zona do euro qualificaram nesta segunda-feira de "propaganda" e "absurda" a especulação sobre a saída da Grécia da moeda única europeia, mas disseram que o país precisa respeitar os termos de um pacote de resgate oferecido pela União Europeia e FMI.

JAN STRU, REUTERS

14 Maio 2012 | 20h29

Se a Grécia conseguir formar um governo e esse governo aderir ao acordo, é possível que algumas metas sejam atenuadas, disse o presidente do conselho de ministros de Finanças da zona do euro, Jean-Claude Juncker.

"Não antevejo, nem por um segundo, a Grécia deixando a zona do euro. Isso é absurdo, isso é propaganda", disse Juncker, que também é primeiro-ministro de Luxemburgo, a jornalistas, menosprezando quem ameaça a Grécia de expulsão.

"A saída da Grécia do euro não foi tema do nosso debate hoje (segunda-feira). Absolutamente ninguém, absolutamente ninguém argumentou nesse sentido", disse ele após seis horas de reunião entre os 17 ministros.

"Mas o público grego, os cidadãos gregos têm de saber que acordamos um programa, e esse programa precisa ser implementado."

Oito dias depois de inconclusivas eleições, os partidos gregos foram incapazes de formar uma coalizão, e as pesquisas apontam um avanço dos partidos contrários ao pacote financeiro caso novas eleições sejam realizadas no mês que vem, o que a essa altura parece ser o cenário mais provável.

As autoridades da UE salientam que a margem de renegociação no acordo de 130 bilhões de dólares é ínfima, embora Juncker tenha acenado com algumas concessões caso os partidos gregos consigam superar suas divergências e apoiar o plano de reformas associado ao resgate financeiro.

"Se houvesse mudanças dramáticas nas circunstâncias, não descartaríamos um debate sobre uma prorrogação no período (para o cumprimento das metas pela Grécia)", disse Juncker.

"Eu não disse que havia qualquer intenção de prorrogar os prazos, temos de fazer as coisas na ordem apropriada... Precisamos de um governo grego, o governo grego teria de deixar claro que está plenamente comprometido com o programa, e aí, se houvesse circunstâncias excepcionais, não excluiríamos a possibilidade de discutir essa questão", disse.

"Isso não foi discutido hoje porque duas outras condições não foram atendidas: não temos um governo grego, e não temos quaisquer circunstâncias em particular que ensejem essa discussão. Seja como for, não haveria nenhuma mudança substancial envolvida."

A Grécia pode ficar sem dinheiro já no mês que vem, e, na ausência de um governo que negocie a próxima parcela da ajuda, os investidores começaram a apostar que mais cedo ou mais tarde haverá uma caótica moratória grega e a retirada do país da moeda única.

Especulações sobre a exclusão de um país do euro costumavam ser tabu para algumas autoridades. Não mais.

No fim de semana, dois diretores do Banco Central Europeu, Luc Coene e Patrick Honohan, manifestaram abertamente a possibilidade de saída da Grécia e concluíram que isso seria fatal para a zona do euro.

Mas há fortes incentivos para manter a Grécia à tona, inclusive o fato de o BCE e os governos da zona do euro serem detentores de grandes volumes de títulos da dívida grega.

Uma moratória "a seco" poderia lhes causar imensos prejuízos, e, se o BCE precisasse se recapitalizar por causa disso, a conta recairia também sobre os governos europeus, a começar pela Alemanha.

Há também o temor de que o caos na Grécia arraste as economias da Espanha e Itália, muito mais relevantes, e ameace a existência da própria moeda comum, riscos que os mercados já começaram a precificar.

O custo do seguro da dívida espanhola contra uma moratória bateu um recorde na segunda-feira, e o ágio cobrado por investidores para financiar a Espanha em vez da Alemanha atingiu seu maior nível na história da moeda única europeia.

(Reportagem adicional de Renee Maltezou e George Georgiopoulos, em Atenas; de Valentina Za, em Milão; de Paul Day, em Madri; e de Emelia Sithole-Matarise, em Londres)

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