'Miss Bélgica' vira batalha entre holandeses e franceses do país

Pequeno reino europeu está sem governo há cerca de 200 dias devido a disputa entre as duas populações

Associated Press,

17 de dezembro de 2007 | 17h09

A recém coroada Miss Bélgica, Alizee Poulicek, fala vários idiomas - incluindo francês, inglês e checo. Ainda assim, ela foi vaiada no último sábado, 15, durante sua escolha como a mais bela do país. O motivo: não soube responder, em holandês, a uma pergunta feita pelo apresentador do evento. Mais do que uma simples gafe, a falha de Alizee, de 20 anos, serviu de gatilho para um novo capítulo do crescente aprofundamento da queda de braços entre a parcela da população que fala francês e a parcela que fala holandês. A Bélgica está há cerca de 200 dias sem governo por causa da disputa, e muitos já temem uma possível divisão do país. A eleição aconteceu na Antuérpia, nos Flanders, onde a maioria da população fala holandês e reivindica maior poder político no país,.  "A Miss Bélgica não fala holandês", era a manchete do jornal Het Laatste Nieuws, publicado em holandês.  Cerca de 6 milhões dos 10,5 milhões de belgas vivem na região dos Flanders. Apesar do maior peso demográfico, a região foi subjugada política e economicamente pela porção francesa depois que a Bélgica ganhou a independência da Holanda, em 1830. Mas, com o término da 2ª guerra mundial, essa tendência foi revertida, e nas últimas três décadas todos os primeiros-ministros belgas vieram da região dos Flanders - mas todos também falavam francês.  Paralelamente, os Flanders (norte, holandês) e a Valônia (sul, francês) ganharam grande autonomia nos últimos anos. Ainda assim, muitos da região holandesa continuam atentos a cada falha lingüística de seus concidadãos de origem francesa.  Filha de checo Agora Alizee sabe bem disso. Filha de um pai checo e de uma mãe belga, a jovem vive na cidade francófona de Huy. No entanto, ela passou a maior parte de sua vida na República Checa, tendo voltado para a Bélgica há seis anos. Mas como vive no sul do país, teve poucos motivos até agora para treinar o seu holandês.  "Eu devo tentar aprender mais", disse ela à rede VRT em uma holandês hesitante. E arrematou em francês: "Eu não falava quase nada de holandês quando comecei essa 'aventura'." Para Darlene Devos, que organiza o concurso Miss Bélgica, poderia ter sido bem pior.  "Eu não me preocupo muito sobre isso. É a última coisa dolorosa. Eu pensaria diferente se tivessem dito 'a Miss Bélgica é uma mulher feia'."

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