Monitores da União Européia começam a entrar na Geórgia

Ainda impedidos de entrar na zona de segurança, observadores acompanharão retirada de tropas russas

Agências internacionais,

01 de outubro de 2008 | 03h56

Observadores da União Européia entraram na zona de segurança estabelecida ao redor das províncias separatistas da Ossétia do Sul e Abkházia, na Geórgia, para monitorar a retirada de tropas russas da região. Cerca de 200 observadores não-armados irão fiscalizar a retirada das tropas russas, prevista no acordo de cessar-fogo entre Rússia e Geórgia.   Veja também: Especial: Depois da Guerra Fria    Os observadores começaram a patrulhar a região às 9 horas locais (2 horas de Brasília) na cidade de Bazaleti, a cerca de 40 quilômetros de Tbilisi. Além de Bazaleti, as cidades de Gori, Poti e Zugdidi acolhem os centros regionais da missão de observadores, cujo quartel-general se encontra na capital georgiana. Um correspondente da BBC, entretanto, disse que a equipe de monitores que ele acompanhava não recebeu permissão do Exército russo para entrar na área - controlada pela Rússia desde o início do conflito armado com a Geórgia, em agosto.   Pelos termos do acordo firmado entre os dois países e mediado pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, a retirada deve ser feita até o dia 10 de outubro, o que significa que os soldados russos devem deixar as zonas de segurança dentro de dez dias. A BBC afirma, no entanto, que há dúvidas sobre o comportamento dos russos e se eles irão de fato permitir o acesso dos observadores às áreas controladas. As tropas russas no local não estão autorizando a entrada das equipes européias, alegando "razões de segurança".   Contradição   O porta-voz das tropas russas no país, Vitaly Manushko, afirmou que os monitores poderão patrulhar apenas "até a fronteira ao sul das zonas de segurança". Ainda não está claro se a postura da Rússia é apenas uma bravata ou mesmo uma tentativa de atrasar a entrada dos monitores europeus e, conseqüentemente, a retirada das tropas russas das áreas controladas.   Oacesso dos observadores a todas as áreas será um verdadeiro teste para avaliar o compromisso da Rússia com o acordo de cessar-fogo assinado em agosto. O chefe de política internacional da União Européia, Javier Solana, afirmou que as mensagens vindas de Moscou são contraditórias, mas se disse otimista de que o início da missão dos observadores irá seguir conforme o acordo. "Estou otimista de que as duas partes irão cumprir, assim como nós fizemos, com os termos do acordo", disse.   A retirada das tropas russas é um dos principais pontos do acordo de cessar-fogo mediado pela França. No entanto, a Rússia pretende manter um contingente de cerca de 8 mil soldados na Abkházia e na Ossétia do Sul - províncias que Moscou reconheceu como Estados independentes. Os líderes ocidentais condenaram tanto o controle das áreas de segurança quanto o reconhecimento pelos russos da independência das regiões separatistas da Geórgia.   Conflito   O conflito na região começou no dia 7 de agosto, quando a Geórgia tentou retomar o controle sobre a Ossétia do Sul à força depois de uma série de conflitos menores. A Rússia invadiu a região lançando um contra-ataque e expulsando as tropas georgianas da Ossétia do Sul e da Abkházia.   O porta-voz do ministro da Defesa russo, Nikolai Uvarov, disse que a Rússia removeu alguns postos de controle na área portuária de Poti, na costa do Mar Negro. Com essa remoção, os russos continuam com nove postos ao redor da Ossétia do Sul e três próximos da Abkházia, de acordo com a agência de notícias russa Ria Novosti.   Matéria atualizada às 7h35.

Tudo o que sabemos sobre:
GeórgiaUnião EuropéiaRússia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.