Monti prepara plano de austeridade em meio à pressão do mercado

O primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, enfrenta uma semana decisiva em que vai finalizar os planos fiscal e previdenciário para melhorar as finanças italianas, enquanto os mercados empurram a terceira economia da zona do euro para uma crise da dívida que pode atingir todo o bloco.

JAMES MACKENZIE, REUTERS

27 de novembro de 2011 | 16h58

A expectativa é que Monti divulgue as suas medidas no dia 5 de dezembro. Elas podem incluir uma taxa sobre moradia e aumento dos impostos sobre vendas. A pressão dos mercados, porém, podem levá-lo a antecipar os anúncios.

Os custos para empréstimos já retornaram aos níveis perigosos que resultaram na queda do governo conservador do ex-premiê Silvio Berlusconi. Os rendimentos dos títulos de dez anos encerraram a semana passada a mais de 7,3 por cento.

Essa taxa se assemelha àquelas que forçaram Grécia, Irlanda e Portugal a buscar socorro internacional. Um leilão nesta terça-feira de 8 bilhões de euros em títulos de dez anos será um teste crucial.

Na sexta-feira, a Itália pagou um rendimento de 6,5 por cento para vender novos papeis de seis meses, uma taxa que analistas dizem que por muito tempo tornaria o déficit público incontrolável.

Segunda maior potência industrial da Europa, a Itália seria muito grande para que os atuais mecanismos de socorro tenham efeito. Um calote da sua dívida em euros de 1,8 trilhão poderia destruir a moeda.

Uma equipe do Fundo Monetário Internacional (FMI) é esperada em Roma nesta semana para avaliar o estado da economia do país, um sinal da preocupação crescente sobre o efeito da crise italiana na economia global.

No início do mês, Monti prometeu um plano que combinasse rigor orçamentário e reformas para estimular o crescimento. No entanto, com as suspeitas de que a economia italiana poderia entrar em recessão, ele está sob pressão para divulgar detalhes do programa rapidamente.

As medidas expostas até agora estão na linha das recomendações que o Banco Central Europeu deu ao governo de Berlusconi.

Além de flexibilizar garantias trabalhistas, privatizar serviços locais e estimular mais competição no mercado de trabalho, medidas adicionais orçamentárias, estimadas pela imprensa italiana em cerca de 15 bilhões de euros, podem ser anunciadas.

As pesquisas mostram grande apoio popular para o governo técnico recém-formado de Monti, mas os efeitos das medidas de austeridade ainda estão por vir.

Tudo o que sabemos sobre:
ITALIAMONTIAUSTERIDADE*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.