Morte de iraquiano manchou Exército britânico, conclui inquérito

Soldados britânicos bateram até a morte em um civil iraquiano em um ato de "violência brutal e não justificada", que deixou uma "mancha muito grande" nas Forças Armadas da Grã-Bretanha, concluiu um inquérito nesta quinta-feira.

PETER GRIFFITHS, REUTERS

08 Setembro 2011 | 09h20

O ex-juiz William Gage, que liderou a investigação de três anos, disse que oficiais de alto escalão deveriam ter feito mais para evitar a morte, em 2003, de Baha Mousa, funcionário de um hotel, e as agressões de soldados britânicos contra outros nove detentos no Iraque.

Mousa, de 26 anos, foi diversas vezes chutado e espancado durante um período de 36 horas, enquanto era mantido em um bloco de detenção em uma base militar britânica na cidade de Basra, sul do Iraque.

Encapuzado e algemado, ele sofreu 93 ferimentos visíveis, incluindo um nariz quebrado, costelas quebradas e contusões ao longo do corpo, apontou o inquérito.

Um soldado britânico, o cabo Donald Payne, vangloriou-se em frente aos colegas por ter conduzido um "coro" ao bater em Mousa e nos demais prisioneiros a ponto de eles chorarem em sequência, de acordo com a investigação. Outro soldado disse que, na manhã seguinte à prisão, os detentos pareciam ter sofrido um acidente de carro.

"Os eventos. foram de fato uma mancha muito grande na reputação do Exército", disse Gage em comunicado. "Eles constituíram um episódio pavoroso de violência séria, gratuita, sobre civis que resultou na morte de um homem e em ferimentos em outros."

A Grã-Bretanha foi a principal aliada dos Estados Unidos na invasão que derrubou Saddam Hussein. O abuso de prisioneiros iraquianos por soldados norte-americanos, particularmente prisão Abu Ghraib, em Bagdá, provocou protestos ao redor do mundo.

O inquérito não encontrou evidências de uma cultura de violência entre as forças britânicas em Basra, mas criticou o então chefe do Primeiro Batalhão do Regimento Lancashire da Rainha, o tenente-coronel Jorge Mendonça.

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