Morte de jornalista russa faz 4 anos e impunidade persiste

Jornalistas russos expressaram ceticismo na quinta-feira com as promessas de novos esforços para punir os assassinos da jornalista Anna Politkovskaya, cuja morte completou quatro anos. Investigadores dizem que o inquérito irá continuar até fevereiro.

REUTERS

07 de outubro de 2010 | 18h26

"Como é possível não terem encontrado os assassinos de Anna após quatro anos? Talvez falte vontade política", disse Dmitry Muratov, editor-chefe do jornal oposicionista Novaya Gazeta, onde Politkovskaya trabalhava.

Cerca de 400 pessoas se reuniram no centro de Moscou para lembrar o aniversário do assassinato da jornalista, uma mãe de dois filhos morta aos 48 anos após escrever reportagens sobre corrupção e abusos aos direitos humanos. Ela foi baleada em seu apartamento, em Moscou, em 7 de outubro de 2006.

Na quarta-feira, o poderoso Comitê Investigativo Federal disse que a apuração do crime vai continuar até fevereiro do ano que vem, e que mais suspeitos estão sendo considerados.

O Comitê para a Proteção de Jornalistas (CPJ) disse em nota que o anúncio traz alguma esperança, mas que continua sendo chocante que nem o autor do crime nem o mandante tenham sido identificados.

Três suspeitos foram inocentados em fevereiro de 2009, e a investigação foi reaberta há um ano.

A morte de Politkovskaya se tornou um símbolo das relações entre imprensa e poder na Rússia, um dos países mais perigosos do mundo para o exercício do jornalismo.

"Esta atmosfera de impunidade permite que o Estado continue o seu regime de terror", disse Oleg Orlov, diretor da entidade russa de direitos humanos Memorial, durante o ato que atraiu principalmente um público de meia-idade.

O Kremlin negou especulações de envolvimento no crime, que segundo promotores foi uma tentativa de desacreditar o país internacionalmente.

Na semana passada, investigadores prometeram empenho para elucidar o assassinato de 19 jornalistas desde 2000, inclusive Politkovskaya. Cinco dos homicídios tiveram os inquéritos formalmente reabertos.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos divulgou nota na quarta-feira elogiando a disposição de apurar os crimes.

A Novaya Gazeta propôs que, no quinto aniversário da morte de Politkovskaya, a rua onde ela morava e foi morta seja rebatizada com seu nome.

(Reportagem de Amie Ferris-Rotman)

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