Morte de oposicionista da Geórgia causa suspeita em Londres

Badri Patarkatsishvili, bilionário de 52 anos, liderou e financiou campanha contra o governo do atual presidente

Associated Press e Reuters,

13 de fevereiro de 2008 | 09h31

A polícia britânica está investigando a morte do líder opositor da Geórgia exilado no Reino Unido Badri Patarkatsishvili. O bilionário de 52 anos, que liderou e financiou uma campanha contra o presidente Mikhail Saakashvili no ano passado, teria morrido por conta de um ataque cardíaco, segundo a emissora pública de televisão da Geórgia, embora aliados do oposicionista tenham pedido que especialistas internacionais investiguem a causa da morte. A polícia está tratando a morte como suspeita.   Patarkatsishvili, de 52 anos, acusava o governo do presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, de querer matá-lo.   Patarkatsishvili vivia em Londres desde o ano passado e era visto como uma força motriz por trás dos protestos antigovernamentais de novembro último, e era investigado por acusações de conspirar para derrubar o governo. Ele negava as acusações, mas admitiu que deu grandes somas à polícia para não reprimir os manifestantes. Os protestos foram reprimidos com brutalidade pelos policiais.   O magnata russo Boris Berezovsky, sócio de longa data de Patarkatsishvili, disse que parentes lhe informaram que o georgiano teria morrido por volta das 23 horas (locais) de ataque cardíaco. Berezovsky afirmou que havia se encontrado na terça-feira com Patarkatsishvili, que reclamara do coração.   A polícia de Surrey confirmou ter sido chamada na noite de terça-feira à casa de Patarkatsishvili em Leatherhead, 30 km ao sul de Londres. Uma autópsia estava sendo realizada. "Como toda morte inesperada, ela está sendo tratada como suspeita", disse uma porta-voz policial.   Patarkatsishvili concorreu contra o presidente Saakashvili na eleição de janeiro, conseguindo 7% dos votos. Grupos oposicionistas acusaram Saakashvili de ter fraudado a eleição para conseguir os 53% dos votos que garantiram sua reeleição no primeiro turno.   Patarkatsishvili disse à Associated Press em dezembro ter conseguido uma fita de áudio em que um funcionário do Ministério do Interior da Geórgia pedia sua morte a um senhor da guerra checheno. "Acredito que eles querem me matar", acusou então Patarkatsishvili. Em setembro, o ex-ministro da Defesa georgiano Irakli Okruashvili denunciou que Saakashvili o encorajou a assassinar Patarkatsishvili em 2005, mas posteriormente retirou a acusação.   Patarkatsishvili, que viveu na Rússia entre 1993 e 2001, também era procurado pelas autoridades russas por acusações de furtar carros da maior fabricante da Rússia, a AvtoVAZ, na década de 1990 e organizar a fuga em 2001 de um sócio que estava sob custódia policial numa investigação de fraude. Ele deixa mulher e duas filhas.

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