Rauf Maltas/Anadolu/Reuters
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Morteiro da Síria mata cinco pessoas de uma família na Turquia

Ataque atingiu bairro residencial ao longo da fronteira entre os dois países; há quatro crianças entre os mortos

KADIR CELIKCAN, Reuters

03 de outubro de 2012 | 14h53

AKCAKALE, TURQUIA - Um morteiro disparado da Síria caiu em um bairro residencial na cidade de Akcakale, no sudeste da Turquia, e matou uma mulher e quatro crianças de uma mesma família, nesta quarta-feira, 3. Uma nuvem de poeira e fumaça pairou sobre os edifícios baixos após a explosão, enquanto os moradores corriam para ajudar as vítimas. Pelo menos outras oito pessoas ficaram feridas.

 

Outros, enfurecidos pela violência crescente na região em consequência da guerra civil da Síria, foram às ruas gritando em protesto contra as autoridades locais.

 

O ministro turco das Relações Exteriores, Ahmet Davutoglu, telefonou para o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, para informá-lo sobre o incidente e também conversou com altos funcionários militares e o mediador da crise na Síria, Lakhdar Brahimi, informou o ministério um comunicado. Davutoglu sinalizou no fim de semana que a Turquia iria tomar medidas caso se repetisse um ataque com morteiro como o que danificou casas e locais de trabalho em Akcakale na última sexta-feira.

"O ataque com morteiro atingiu o bairro bem no meio. A mulher e os quatro filhos de uma mesma família morreram", disse à Reuters o chefe local do Crescente Vermelho turco, Ahmet Emin Meshurgul, acrescentando que ele conhecia as vítimas pessoalmente. "As pessoas aqui estão ansiosas, porque já fomos atingidos antes. Forças de segurança tentaram convencer as pessoas a esvaziarem o bairro perto da fronteira, mas agora temos sido atingidos bem no meio da cidade", disse. Uma testemunha da Reuters viu três policiais entre os feridos sendo levados ao hospital.

O primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, cultivava boas relações com o presidente sírio, Bashar Assad, mas se tornou um crítico severo do regime sírio após a revolta popular na Síria que começou no ano passado, acusando-o de criar um "Estado terrorista". Erdogan tem permitido que os rebeldes sírios se organizem em território turco e pressionou por uma zona de segurança protegida por forças internacionais dentro da Síria.

A Turquia também está abrigando mais de 90 mil refugiados da Síria e teme uma entrada em massa semelhante ao êxodo de meio milhão de curdos iraquianos para a Turquia após a Guerra do Golfo, em 1991.

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