Mortes não impedem progresso na Irlanda do Norte, diz Brown

Dois soldados que iriam ao Afeganistão foram mortos por opositores ao processo de paz na província britânica

Reuters,

09 de março de 2009 | 17h16

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, disse nesta segunda-feira, 9, que o assassinato de dois soldados, cometido por pistoleiros contrários ao processo de paz da Irlanda do Norte, não mergulhará a província britânica de novo na violência. Um oficial de alta patente disse que não há planos de reocupar militarmente as ruas da região. Esse foi o pior atentado na Irlanda do Norte em uma década, e os líderes políticos esperam que o fato não reverta os progressos alcançados desde o Acordo da Sexta-Feira Santa, em 1998.   Veja também: Ataque contra base na Irlanda do Norte mata dois soldados Brown visitou o quartel na localidade de Antrim onde militantes da facção republicana Real IRA mataram os soldados, que horas depois embarcariam para o Afeganistão. O primeiro-ministro em seguida se reuniu com políticos locais em Belfast. "Eles querem passar a mensagem ao mundo, assim como eu, que o processo político não irá e nunca poderá ser abalado", disse Brown. O IRA (Exército Republicano Irlandês, ligado à maioria católica) combateu durante décadas o domínio britânico da região, num conflito que matou mais de 3.600 pessoas desde a década de 1960. Um cessar-fogo desse grupo e de guerrilhas protestantes unionistas (pró-Londres) praticamente encerrou o conflito armado desde 1998. Mas o Real IRA continua defendendo o fim do domínio britânico e a unificação com a vizinha República da Irlanda. Esse grupo, isolado por outras facções políticas republicanas, foi responsável pelo atentado mais violento da Irlanda do Norte, na localidade de Omagh, em agosto de 1998, que deixou 29 mortos. O secretário britânico para a Irlanda do Norte, Shaun Woodward, descreveu o ataque de sábado como "uma tentativa premeditada de homicídio em massa", já que os dois atiradores mascarados fizeram mais de 60 disparos.   O primeiro-ministro da Irlanda, Brian Cowen, disse que policiais ao sul da fronteira irão participar da caçada aos pistoleiros. "Apesar do sucesso do processo de paz nos últimos anos, não houve redução no monitoramento da atividade republicana dissidente por parte da gardai (polícia)", disse ele a jornalistas.

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