Moscovitas lotam lojas e cinemas só pelo ar-condicionado

Os moscovitas estão cochilando em lojas de imóveis, pagando a mais por táxis e usando quantidades recordes de energia elétrica em casa para escapar da fumaça tóxica causada pelos incêndios florestais que vem sufocando a cidade há três semanas.

NASTASSIA ASTRASHEUSKAYA, REUTERS

11 de agosto de 2010 | 14h50

Mas enquanto alguns encontraram formas inovadoras de se manterem frescos, muitos não têm condições de comprar aparelhos de ar-condicionado e ventiladores, que sumiram das estantes mesmo com preços dez vezes acima do valor normal desde os alertas do governo para a população ficar em casa.

Lojas de eletrônicos tiveram esses ítens esgotados já em meados de julho, depois que o tempo abafado causou uma corrida ao consumo, enriquecendo alguns e desencadeando críticas de autoridades e da igreja ortodoxa russa.

O analista econômico Alexei Yevdokimov disse ter ganhado 200 mil rublos desde meados de julho revendendo aos moscovitas ventiladores novos, comprados em São Petersburgo, por três a cinco vezes o preço normal de mil rublos.

"Começou como uma aposta e meus amigos estavam rindo no começo. Mas quando o dinheiro começou a entrar eles ficaram surpresos", disse ele à Reuters, acrescentando que agora estava considerando transformar seu conhecimento no mercado negro para criar um negócio permanente.

Algumas empresas de táxi também estão lucrando, cobrando 30 por cento a mais aos passageiros que querem ligar o ar-condicionado. Restaurantes e cinemas com ar-condicionado estão ficando lotados e algumas pessoas buscam refúgio e cochilam nas lojas de móveis.

Placas diante das lojas de Moscou dizem "ar-condicionados e ventiladores esgotados" e muitas pessoas fazendo pedidos online descobriram que eles haviam esgotado no dia esperado para a entrega. O consumo de eletricidade saltou para nível recorde no dia 4 de agosto, informou o centro de controle de distribuição de energia elétrica de Moscou nesta quarta-feira.

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