Murdoch afirma manter 'controle editorial' de tablóides

Magnata reconhece definir a linha de seus jornais mais populares, mas disse não inteferir no Times

EFE,

24 de novembro de 2007 | 17h52

O magnata da imprensa Rupert Murdoch reconheceu diante de uma comissão do Parlamento britânico que detém "controle editorial" sobre a linha política nacional e européia de dois tablóides britânicos de sua propriedade.   Murdoch, de origem australiana e dono do grupo News Corporation, reconheceu que decide que partido devem apoiar o sensacionalista The Sun - jornal de maior tiragem da Inglaterra - e o dominical News of the World em caso de eleições gerais, e também em temas relacionados à União Européia, informa hoje a agência britânica PA.   O Sun e o News of the World sempre mantiveram postura hostil com relação a Bruxelas e à moeda comum européia, ao mesmo tempo em que apoiaram a Guerra do Iraque, aliando-se à postura do presidente americano, George W. Bush.   Em relação aos jornais The Times e The Sunday Times, disse que, apesar de às vezes se interessar pelo que fazem, não dá instruções políticas ou interfere em seu trabalho.   Murdoch disse que é ele quem nomeia também os diretores dos dois jornais, mas acrescentou que as nomeações estão sujeitas à aprovação dos respectivos conselhos administrativos, que são independentes.   As declarações de Murdoch foram publicadas na sexta-feira e estão nas minutas da reunião do magnata a portas fechadas, em Nova York, em 17 de setembro, com um comitê da Câmara dos Lordes, encarregado de investigar a propriedade dos meios de comunicação britânicos.   O milionário expressou sua frustração com relação à legislação britânica sobre propriedade de meios de comunicação, que o impede de ser dono de jornais regionais ou expandir seu império com a aquisição de diários locais.   Disse não compreender o que leva o governo britânico a ser tão obsessivo pelos níveis de propriedade dos jornais, quando o povo tem tantas outras fontes de informação.   Murdoch acrescentou que os jovens não compram mais jornais para se informar, motivo pelo qual um de seus objetivos é que estes mesmo jovens visitem os portais de suas publicações na internet.   Em declarações à rádio 4 da rede BBC, o presidente do Comitê de Comunicações da Câmara dos Lordes, lorde Norman Fowler, afirmou que não existe atualmente um mercado livre em matéria de propriedade de meios de comunicação.   "Um estrangeiro como Murdoch (australiano com passaporte americano) pode ser proprietário de grupos de comunicação no Reino Unido, mas um cidadão britânico não pode fazer o mesmo nos Estados Unidos", denunciou Fowler.   "Não há acordos recíprocos. Sou a favor de um livre mercado, o que este não é", disse o lorde britânico.

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