Na ONU, Brown critica lentidão no desenvolvimento global

Premiê usou discurso nas Nações Unidas para alertar para necessidade de se alcançar os Objetivos do Milênio

Associated Press e Reuters,

31 Julho 2007 | 12h17

O novo premiê britânico, Gordon Brown, usou seu primeiro discurso na sede das Nações Unidos nesta terça-feira, 31, para alertar ao mundo que ainda faltam "milhões de quilômetros" para que as promessas de acabar com a pobreza, a disseminação da Aids e o analfabetismo sejam cumpridas.  Veja Também Partido Trabalhista britânico recebe maior apoio em 18 meses  Dirigindo-se a uma audiência de líderes globais, empresários e diplomatas, Brown afirmou que, nas taxas atuais, alguns dos Objetivos do Milênio, que deveriam ser atendidos até 2015, só serão solucionados em 2100. O discurso acontece um dia depois do encontro do premiê com o presidente dos EUA, George W. Bush, na residência presidencial americana de Camp David, em Maryland. Na ocasião, o britânico discutiu as novas relações entre os dois países e a cooperação para a atuação militar no Iraque e no Afeganistão e para a luta contra o terrorismo. Porém, nesta terça-feira, Brown deixou claro que o foco predominante de sua política externa passará do apoio à luta contra o terror para a ajuda internacional e desenvolvimento. Durante o discurso de 30 minutos, ele não mencionou as guerra no Iraque e Afeganistão, mas falou sobre a necessidade de se enviar uma força de paz para região de Darfur, no Sudão, onde mais de 200 mil pessoas já morreram em um conflito que já é considerado o primeiro genocído do século 21.  Segundo Brown, o Reino Unido, junto com os Estados Unidos e a França, irão apresentar uma resolução ao Conselho de Segurança da ONU estabelecendo uma força de 20 mil soldados para ser enviada para a região partir de 1º de Outubro. Coalizão da consciência O premiê insistiu ainda na necessidade da união de forças entre líderes globais e empresariais para que um novo comprometimento para se atingir os Objetivos do Milênio sejam alcançados.  No discurso, ele usou os termos "coalizão da consciência" e "coalizão pela justiça" para se referir a essa nova união, que já contaria com o apoio de 12 líderes globais e 20 empresariais - entre eles a Microsoft, Google e Wal-Mart. Brown foi duro ao se referir a falta de comprometimento dos líderes globais com os objetivos propostos pela ONU e assinados pela maioria dos Estados do planeta.  "Nós não fizemos esse comprometimento com os Objetivos do Milênio apenas para sermos lembrados como a geração que traiu suas promessas ao invés de honrá-las, acabando com a confiança de que promessas podem ser cumpridas", disse Brown.  Os Objetivos do Milênio são um conjunto de oito itens para a redução da pobreza e da desigualdade entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos.  "É hora de chamarmos isso pelo que realmente é: uma emergência para o desenvolvimento que precisa de ações emergenciais", definiu. "Se 30 mil crianças morressem desnecessariamente todos os dias nos Estados Unidos ou no Reino Unido, nós chamaríamos isso de emergência. E isso é uma emergência." Rodada Doha O premiê também citou a necessidade de se dar continuidade à Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) como uma solução viável para combater a pobreza e o subdesenvolvimento. "Se estamos realmente interessados em erradicar a pobreza, é importante que tenhamos sucesso na Rodada de Doha", afirmou Brown durante a coletiva em Camp David, na segunda. EUA e Reino Unido têm buscado superar o impasse nas negociações agrícolas e de bens manufaturados para um acordo comercial que reduza as barreiras protecionistas e subsídios agrícolas.

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