Na Rússia, segundo atentado suicida mata 14 pessoas em Volgogrado

Uma bomba destruiu um ônibus nesta segunda-feira em Volgogrado, matando 14 pessoas, no segundo atentado atribuído a militantes suicidas nesta cidade do sul da Rússia em menos de 24 horas e aumentando os temores de novos ataques durante os Jogos Olímpicos de Inverno no ano que vem.

MARIA TSVETKOVA, Reuters

30 de dezembro de 2013 | 19h15

O presidente russo, Vladimir Putin, que apostou seu prestígio nos Jogos em Sochi, em fevereiro, e rejeitou as ameaças chechenas e de outros militantes islâmicos no vizinho Cáucaso do Norte, ordenou um maior esquema de segurança em todo o país depois da explosão ocorrida no horário de pico matinal.

O ataque similar no dia anterior matou pelo menos 17 pessoas na principal estação ferroviária de uma cidade que serve como porta de entrada para a parte sul do território russo, que é rodeada pelos mares Negro e Cáspio e as montanhas do Cáucaso.

Nesta segunda-feira, o trólebus azul e branco - alimentado por cabos elétricos - foi reduzido a um amontoado de sucata retorcida, com o teto arrancado e corpos espalhados pela rua em meio aos destroços. As vidraças de prédios próximos quebraram por causa da explosão.

"Pelo segundo dia estamos morrendo. É um pesadelo", disse uma mulher perto do local, com a voz trêmula e contendo as lágrimas. "O que deveríamos fazer, sair andando?"

Vladimir Markin, porta-voz dos investigadores, disse que a bomba usada no trólebus tinha estilhaços "idênticos" aos da bomba detonada na estação, o que indica que elas foram produzidas no mesmo local.

"Havia fumaça e as pessoas estavam deitadas na rua", disse Olga, que trabalha nas proximidades. "A motorista foi jogada para longe. Ela estava viva e gemendo... Suas mãos e roupas estavam cheias de sangue."

Ninguém assumiu de imediato a autoria de qualquer um dos ataques. Investigadores disseram acreditar que um homem estava por trás da explosão desta segunda-feira.

No domingo, os investigadores inicialmente atribuíram a explosão na estação a uma mulher do Daguestão, reduto da militância islâmica às margens do Cáspio. Mais tarde, porém, as autoridades disseram que o autor do ataque poderia ser um homem.

Citando fontes não identificadas, a agência de notícias Interfax disse que o suspeito da explosão de domingo era uma pessoa de etnia russa convertida ao Islã que se mudou para o Daguestão e se juntou a militantes no início de 2012.

Em outubro, uma mulher do Cáucaso do Norte se explodiu em um ônibus em Volgogrado, causando sete mortes.

A cidade é um símbolo da identidade nacional russa por causa da resistência ao cerco nazista na Segunda Guerra Mundial, quando ela se chamava Stalingrado.

Uma fonte policial disse à Reuters que o policiamento de Volgogrado - cidade com cerca de 1 milhão de habitantes, às margens do rio Volga - está reduzido porque muitos agentes foram mobilizados para a operação de segurança em Sochi.

Alexei Filatov, ex-integrante da força Alfa, grupo de elite para o combate ao terrorismo na Rússia, disse que mais ataques podem ser esperados até a Olimpíada e que outras cidades do sul russo além de Sochi poderão ficar mais expostas a atentados.

O Comitê Olímpico Internacional (COI) manifestou condolências às vítimas e disse que "sem dúvida as autoridades russas estarão à altura da tarefa" de garantir a segurança da Olimpíada de Inverno.

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