Nacionalistas planejam protesto contra extradição de Karadzic

Direitistas tentam impedir julgamento em tribunal da ONU; ex-presidente pode ser extraditado às escondidas

AP e Reuters,

28 de julho de 2008 | 15h34

Ultranacionalistas estão planejando uma grande mobilização anti governo na capital sérvia na noite de terça-feira, 29, em uma tentativa de impedir a extradição do ex-presidente servo-bósnio Radovan Karadzic, enquanto seus advogados prevêem que o governo tentará enviar o acusado de crimes de guerra rapidamente para o tribunal de Haia da ONU, na Holanda, antes do protesto.   Veja também: Karadzic não será extraditado nesta 2.ª   Quem é Radovan Karadzic Cronologia dos conflitos nos Bálcãs  O massacre de Srebrenica  Entenda os conflitos na região   Em Belgrado, há temores de confrontos nas ruas na noite de terça. Os organizadores da manifestação, os direitistas do Partido Radical Sérvio, estão convocando apoiadores de Karadzic de toda a Sérvia e Bósnia, onde o ex-líder é visto como um herói de guerra que ajudou a criar o Estado servo-bósnio depois da sangrenta guerra de 1992-1995.   "O protesto é contra o regime traidor e ditatorial" do presidente sérvio pró-Ocidente Boris Tadic, que prendeu o ex-chefe de Estado na semana passada, foragido havia quase 13 anos, afirmou o líder do Partido Radical Aleksandar Vucic.   Na última vez que os nacionalistas organizaram uma manifestação contra os países ocidentais, que haviam reconhecido a independência de Kosovo em fevereiro, a embaixada americana foi parcialmente incendiada e lojas e restaurantes do McDonald's foram atacados.   Extradição 'secreta'   De acordo com os serviços secretos, há dezenas de maneiras para extraditar Karadzic da maneira discreta, como em veículos camuflados, através de saídas secretas e em viagens ao amanhecer em veículos falsos, que despistem as câmeras de televisão, que estão presentes do lado de fora da prisão, do tribunal e do aeroporto.   "Somente dez pessoas na Sérvia sabem exatamente o que acontecerá", adiantou à agência de notícias Reuters um alto funcionário do governo, que não quis se identificar. Outro indicou que não será um espetáculo público. "Acontecerá da forma mais discreta possível", acrescentou.   Apelo   Ivana Ramic, porta-voz da corte em Belgrado, declarou à agência de notícias Associated Press nesta segunda que o apelo de Karadzic contra a extradição para o tribunal da ONU não tinha chegado até o fim do dia. O pedido foi enviado por correio pela defesa do ex-presidente minutos antes do fim do prazo, na sexta-feira.   No caso do apelo não chegar em um "período de tempo razoável", continuou Ramic, os juízes da corte irão julgar a extradição de Karadzic.   O ex-líder servo-bósnio enfrenta 11 acusações no tribunal da ONU, incluindo genocídio e conspiração. Ele é acusado de arquitetar o massacre de cerca de 8 mil muçulmanos em Srebrenica em 1995 e o cerco de três anos em Sarajevo que deixou mais de 10 mil mortos.   Pouco se sabe sobre o que Karadzic fez nos anos em que ficou foragido. Relatos não confirmados dão conta de que ele se disfarçou de padre ortodoxo e morou em monastérios, levando uma vida secreta sob a proteção de nacionalistas radicais presentes no Exército e na polícia.

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