Nada de protestos tipo 'Ocupem Wall Street' na Rússia, diz Putin

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, defendeu nesta segunda-feira planos para elevar os gastos sociais, dizendo a líderes empresariais mundiais que isso ajudará a evitar o tipo de protestos que ocorreu nos Estados Unidos e Europa no fim de semana.

GLEB BRYANSKI, REUTERS

17 de outubro de 2011 | 14h48

Falando depois de manifestantes em várias partes do mundo terem protestado no fim de semana contra a injustiça e a crise econômica, Putin disse que os aumentos de dois algarismos nos gastos sociais que ele aprovou vão impedir que a Rússia seja atingida por protestos semelhantes.

"Centenas de milhares de pessoas - não apenas um grupo de párias, mas centenas de milhares de pessoas - estão indo às ruas para reivindicar o que seus governos não conseguem cumprir," disse Putin a cerca de 20 CEOs globais, incluindo Robert Dudley, da BP, e Indra Nooyi, da PepsiCo.

"Se esses gastos sociais não forem realizados, poderemos chegar a uma situação em que se encontram países com economias desenvolvidas", disse Putin em seus primeiros comentários públicos sobre o movimento "Ocupem Wall Street", que, partindo dos Estados Unidos, vem se alastrando rapidamente pelo mundo.

Não é de hoje que Putin critica os excessos de Wall Street, tendo já chamado os Estados Unidos de parasitas por imprimir dólares demais. Ele está ansioso por conseguir apoio do eleitorado antes do pleito de março de 2012, em que vai concorrer à Presidência.

Ao mesmo tempo, Putin, que foi presidente da Rússia entre 2000 e 2008, quer combater os receios de investidores temerosos de que seu retorno ao Kremlin assinale o início de um período de estagnação que coloque em risco a estabilidade fiscal do país, maior produtor energético do mundo.

Putin repetiu previsões feitas diante de uma conferência de investidores este mês, dizendo prever crescimento econômico de mais de 4 por cento este ano na Rússia e afirmando que a estabilidade econômica está garantido, não importa quão greve seja a crise da dívida na zona do euro.

Os gastos sociais - responsáveis por cerca de um terço dos gastos previstos no orçamento federal russo - vão crescer 20,4 por cento em 2012, para 3,8 trilhões de rublos (123 bilhões de dólares), segundo projeções do Ministério das Finanças.

"Vamos cumprir nossas obrigações sociais para com a população russa", disse Putin, que, segundo pesquisas de opinião, é o político mais popular do país e vencedor quase certo da eleição de 2012.

Os comentários indicam que o Kremlin procurará gastar sua receita petrolífera para acalmar as tensões, em uma sociedade que tem o terceiro maior grupo de bilionários do mundo, depois dos EUA e da China.

Na última crise econômica, em que a economia da Rússia sofreu contração de 7,8 por cento em 2009, Putin assumiu as rédeas dos esforços para destinar dezenas de bilhões de dólares de dinheiro público para defender empresas manufatureiras e resgatar magnatas endividados.

A maioria dos russos, porém, acredita que os maiores ladrões sejam os magnatas que acumularam grandes fortunas após a queda da União Soviética, em 1991, ou os próprios políticos, e não os banqueiros de Londres ou Nova York.

No fim de semana, enquanto milhares de pessoas fizeram protestos na Times Square e a violência explodia em Roma, não houve grandes protestos na Rússia.

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