'Não esperem flores', alerta Otan a radicais sérvios

Forças internacionais afirmam que reagirão aos ataques com armas de fogo com "todos os recursos apropriados"

REUTERS

26 de março de 2008 | 13h20

As forças de paz da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Kosovo responderão com "todos os recursos apropriados" quando atacadas com armas mortais em manifestações realizadas por sérvios, afirmou um porta-voz dessa missão militar, chamada Kfor, nesta quarta-feira, 26.    Veja também: Mapa: a disputa dos Bálcãs "Não somos uma força policial. Não obedecemos às mesmas regras. Não esperem que a Kfor mande flores quando estamos sendo alvo de disparos de arma de fogo", disse o coronel Jean-Luc Cotard, porta-voz da missão, em uma entrevista coletiva realizada em Pristina, capital de Kosovo (que declarou sua independência recentemente). A força de paz comandada pela Otan, composta por 16 mil integrantes, rebateu as acusações feitas por sérvios de que teria agido com "brutalidade" durante os distúrbios de 17 de março, na cidade de Mitrovica, um reduto sérvio e hoje um reduto da luta contra o governo albanês de Kosovo. O primeiro-ministro da Sérvia, Vojislav Kostunica, um político nacionalista, acusou a Kfor de usar "franco-atiradores e armas proibidas" contra os manifestantes sérvios em meio ao conflito ocorrido em uma corte da Organização das Nações Unidas (ONU) ocupada por sérvios. Segundo a Otan, radicais sérvios usaram armas automáticas e dispararam granadas e coquetéis Molotov durante o embate. Um policial ucraniano de 25 anos de idade, membro da força policial da ONU, foi morto por uma granada e um manifestante sérvio recebeu um tiro na cabeça e continua internado em estado grave. "Eu traço uma linha divisória clara entre os cidadãos e os assassinos", afirmou Cotard. A Kfor, em tais circunstâncias, tem o direito de "usar todos os recursos apropriados", afirmou. Cotard, de nacionalidade francesa, disse que a Kfor analisou uma granada de mão que não explodiu - uma das mais de dez atiradas contra a força de paz. Tratava-se de uma M75 de fabricação iugoslava, um dispositivo que contém 3 mil bolinhas de aço. "Essa arma é usada para matar pessoas durante um ataque."

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