Nápoles distribui lixo e protestos pela Itália afora

As autoridades de Nápoles começaram nasexta-feira a enviar montanhas de lixo para outras partes daItália, mas essa medida provocou, pela primeira vez desde oinício da crise do lixo, semanas atrás, conflitos fora daregião. Os moradores da ilha da Sardenha entraram em choque compoliciais quando um navio carregado com lixo chegou de Nápoles,na noite de quinta-feira. A Sardenha foi a primeira região areceber parte das cerca de 100 mil toneladas de lixo acumuladasna área de Nápoles. "Essa foi uma noite agitada", afirmou Silvio Saffioti,chefe da brigada de incêndio da capital da Sardenha, Cagliari."Fomos chamados 25 vezes para apagar incêndios nos 48contêineres (de lixo) e em três carros." O primeiro-ministro italiano, Romano Prodi, deu ao ex-chefenacional de polícia do país Gianni De Gennaro um prazo dequatro meses para resolver a crise, resultado de décadas deincompetência política, corrupção e ingerência da máfia nosistema de coleta e transporte de lixo. O governo do país pediu que as autoridades das Regiões daItália recebam uma parte da montanha de lixo acumulada desdeque a coleta em Nápoles paralisou-se, antes do Natal. Os lixõesda região não receberam mais dejetos porque teriam atingido suacapacidade máxima. Desafiando as manifestações vindas da oposição decentro-direita e dos separatistas da Sardenha, Renatu Soru,governador da ilha, disse que o restante da Itália tinha odever de mostrar solidariedade com Nápoles. "Quando alguém está se afogando ou quando uma casa está emchamas, a gente primeiro salva as pessoas para depois pensar noresto", afirmou ao jornal Corriere della Sera. A crise do lixo representa um grande desafio para Prodi eseus aliados de centro-esquerda que comandam Nápoles, ondemilhares de pessoas foram às ruas nesta semana protestar dentrode um subúrbio que se transformou em uma área sem lei durante anoite. Prodi espera que De Gennaro consiga realizar com sucessouma tarefa diante da qual muitos outros encarregados de fazê-lafracassaram. O primeiro dos comissários do lixo foi nomeado em1994, com a missão de limpar o sistema de coleta e tirá-lo dasmãos da máfia napolitana, a Camorra. Passados 14 anos e gastos 2 bilhões de euros (2,94 bilhõesde dólares) em dinheiro público, a cidade continua atrás de umasolução. Um grande incinerador que deveria estar emfuncionamento no final de 2007 só seria inaugurado em 2009. A Comissão Européia (Poder Executivo da União Européia, UE)afirmou que pode levar a Itália à Justiça porque o país não temseguido as regras do bloco quanto à destinação do lixo.

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