Arnd Wiegmann/Reuters
Arnd Wiegmann/Reuters

Nas urnas, Suíça aprova abandono de energia nuclear

Plano aprovado proíbe construção de novas usinas nucleares e prevê investimentos massivos em energia eólica, biomassa e solar

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S.Paulo

21 Maio 2017 | 11h17

GENEBRA - Nas urnas, os suíços aceitam abandonar de forma gradual o uso de energia nuclear e sua substituição por fontes renováveis. O referendo foi realizado neste fim de semana e concluído com 1,3 milhão de votos a favor da transição, contra 940 mil votos a favor da manutenção da energia nuclear. 

A política energética já havia sido proposta pelo governo. Mas precisava passar pelo voto popular. Em algumas cidades, como Genebra, 73% dos eleitores apoiaram a transição da energia nuclear para outras fontes. 

Pelo plano aprovado, nenhuma nova usina nuclear será autorizada a ser construída. Quanto às cinco usinas existentes no País, a estratégia prevê que elas sejam fechadas quando expirar sua vida útil e o prazo estabelecido de seus respectivos usos com total segurança. Hoje, os cinco reatores correspondem a 30% do fornecimento de energia do país de cerca de 8 milhões de habitantes. O mesmo plano prevê investimentos massivos e subsídios para o setor de energia eólica, biomassa e solar.

O debate começou depois do desastre nuclear de Fukushima, no Japão, em 2011. Diversos governos europeus também tomaram decisões similares, abrindo o debate sobre o futuro da entidade nuclear. 

Outra estratégia é a de redução do consumo de energia per capta no país. Até 2035, a meta é a de redução de 43%. Se o voto foi favorável, o maior partido do país - o UDC - rejeita a estratégia. Foi ele quem pediu a realização do referendo popular, depois que o projeto ganhou o apoio dos demais partidos. 

Para o grupo de direita, o plano de abandonar de forma gradual a energia nuclear vai custar US$ 3,2 mil extras para cada residência por ano, em impostos e preço de energia. O governo rejeitou a conta realizada pelo partido, alertando que o aumento do custo de energia será de apenas US$ 40 por ano. 

Numa campanha pouco habitual, os defensores do "não" ao projeto de transição energética alertavam que uma vitória do plano significaria que os suíços passariam a tomar "banhos gelados". Nos poucos cantões da Suíça que o plano de transição perdeu, um dos argumento usados era de que as instalações de painéis solares e turbinas para energia eólica poderiam "desfigurar" o cenário alpino. 

 

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