Nascimentos diminuem, emigração dobra e expectativa de vida cresce na Itália

O número de nascimentos na Itália no ano passado foi o mais baixo já registrado, enquanto o dobro de pessoas emigrou em comparação à cifra anterior à crise da dívida da zona do euro, mostraram dados nesta quinta-feira.

REUTERS

26 de junho de 2014 | 16h28

O Instituto Nacional de Estatísticas (Istat, na sigla em italiano) informou que menos de 514 mil nascimentos foram registrados na Itália em 2013, o menor número desde que a entidade começou a coletar dados nos anos 1920.

A taxa de natalidade na terceira maior economia da zona do euro caiu para 1,39 criança por mulher, ante 1,45 em 2008, dando continuidade a uma tendência de longo prazo. Mesmo entre os imigrantes, cujo índice de nascimentos é tradicionalmente mais elevado, o nível caiu de 2,65 para 2,20 crianças por mulher, um reflexo dos anos de declínio econômico.

“Em consonância com as mudanças sociais e econômicas pelas quais o país passou nos últimos cinco anos, 2013 se destaca por mostrar uma dinâmica demográfica fundamentalmente fraca”, declarou o Istat ao apresentar dados preliminares para o período.

A Itália, que tem cerca de 60 milhões de habitantes, vem penando para lidar com as dezenas de milhares de pessoas que chegaram de barco do norte da África nos últimos anos. Mas o número de imigrantes legalizados caiu de 494 mil em 2008 para 307 mil no ano passado.

Tais tendências mostram que a população italiana está envelhecendo. Os habitantes com 65 anos ou mais são 21,4 por cento, a maior proporção da União Europeia. Só 13,9 por cento têm 14 anos ou menos, a terceira menor taxa do bloco formado por 28 países.

Os italianos têm uma expectativa de vida maior que a maioria dos europeus: 79,8 anos, em média, para os homens, e 84,6 para as mulheres.

A economia combalida também reduziu o número de casamentos, especialmente entre os jovens, chegando a 3,3 a cada 1.000, uma das cifras mais baixas da Europa, igual à da Espanha e só acima de Eslovênia, Portugal e Bulgária.

De acordo com os dados preliminares, houve menos de 200 mil uniões civis ou religiosas no lar da Igreja Católica no ano passado – o número mais baixo desde a Primeira Guerra Mundial.

A Itália, que tem uma longa história de emigração para o continente americano nos séculos 19 e 20, registrou a saída de 82 mil italianos e de 44 mil residentes estrangeiros no ano passado, o dobro do nível pré-crise de 2008.

A maioria foi atraída por melhores perspectivas de trabalho na Grã-Bretanha e na Alemanha. O desemprego entre os jovens chega a 43,3 por cento na Itália.

(Reportagem de Isla Binnie)

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