Navio com ativistas para Gaza chega à Grécia

Dez ativistas que tentavam levar ajuda da Líbia para Gaza invadiram um navio prestes a zarpar para a Grécia, disseram nesta sexta-feira os donos da embarcação, negando relatos de que as pessoas foram detidas contra a vontade delas.

REUTERS

12 de novembro de 2010 | 13h44

A empresa grega disse que o capitão deixou o porto com os ativistas a bordo porque estava com medo de que outros entrassem e desviassem o navio para Gaza, que está sob bloqueio naval israelense.

A instituição de caridade Road to Hope e a guarda costeira da Líbia afirmaram na quinta-feira que os ativistas foram feitos reféns, juntamente com agentes da polícia líbia, pelo capitão do navio Strophades IV, com bandeira de Malta, depois de uma discussão relativa a dinheiro.

A empresa Ionian Bridge Shipmanagement afirmou que dez de um grupo de 150 ativistas pularam no navio no porto líbio de Derna, e o capitão foi forçado a zarpar para impedir que todos eles embarcassem e tomassem o controle do navio.

O Strophades IV ancorou no porto de Pireus na manhã desta sexta-feira. Autoridades da guarda-costeira afirmaram que os 16 membros da tripulação, dez ucranianos e seis egípcios, assim como as outras 17 pessoas a bordo, passam bem.

"Eles não estão neste navio contra a vontade deles", afirmou à Reuters, por telefone, uma porta-voz da Ionian Bridge Shipmanagement, Maria Georgoulia, acrescentando que não houve acordo com os ativistas para que eles usassem o navio.

"Nunca houve um acordo. Eles não tinham documentos mostrando que poderiam viajar com este navio. Isso seria ilegal."

A empresa disse, em comunicado, que negociou com uma agência egípcia por três dias para transportar os ativistas ao Egito, mas nenhum acordo foi fechado.

"Vimos o comboio dos ativistas chegando ao porto de Derna e não tínhamos ideia do que estava acontecendo", disse o comunicado. "Nunca pretendemos levar os ativistas, porque sabíamos que eles queriam levar o navio não para El Arish, mas para Gaza, para quebrar o embargo e nos lançar contra a Marinha israelense. Decidimos partir, temendo por nossas vidas."

Autoridades da guarda-costeira grega se negaram a dizer se os ativistas poderão desembarcar logo. Autoridades da embaixada britânica afirmaram que fornecerão assistência consular a eles se necessário.

Georgoulia afirmou que a embarcação tinha descarregado e receberia em breve a permissão para deixar Derna e seguir para Pireus quando os ativistas foram pedir ao capitão que os levasse ao Egito, embora o destino final fosse provavelmente Gaza.

Os ativistas pularam no navio e alguns agentes líbios os seguiram, afirmou Georgoulia.

A instituição de caridade diz ser uma cooperativa de ativistas contribuindo aos esforços para acabar com o bloqueio de Israel a Gaza, que é controlada pelo grupo islâmico Hamas.

(Reportagem de Renee Maltezou em Atenas)

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