Navio de ajuda a Gaza parte da Grécia, pode ir ao Egito

Um navio carregado com ajuda para a Faixa de Gaza, região que enfrenta bloqueio de Israel, partiu da Grécia neste sábado, apenas um mês após 9 ativistas morrerem em uma ofensiva israelense a um comboio humanitário numa missão similar.

REUTERS

10 de julho de 2010 | 16h32

Não ficou claro se o navio com bandeira da Moldávia, com doze tripulantes e até dez ativistas a bordo, tentaria chegar a Gaza desafiando o bloqueio de Israel ou se iria ao porto egípcio de El Arish.

Um porta-voz do Ministério do Exterior grego afirmou que o navio irá a El Arish.

Uma autoridade da ACA Shipping, dona do navio, disse à Reuters antes da partida do navio: "O navio partirá em alguns minutos a Gaza. Se eles não nos deixarem chegar lá, nós iremos para o porto de El Arish no Egito."

Uma entidade beneficente presidida pelo reformista Saif al-Islam Gaddafi, filho do líder líbio, está organizando a viagem e informou que a embarcação vai levar cerca de 2.000 toneladas de alimentos e remédios, de acordo com as regrasinternacionais. A viagem deve levar entre 70 e 80 horas.

Nove ativistas pró-Palestina morreram em maio quando fuzileiros navais israelenses invadiram um navio turco que liderava um comboio humanitário com destino a Gaza. O fato desencadeou protestos em todo o mundo, uma crise nas relações turco-israelenses e a condenação de Israel pelo Conselho de Segurança da ONU.

Israel afirmou que seus soldados agiram em autodefesa por terem sido atacados com facas e paus quando entraram no navio.

Neste sábado, Israel disse que contatou autoridades gregas, egípcias e moldavas para garantir que o navio não tente chegar a Gaza.

A embaixadora israelense nas Nações Unidas mandou cartas ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e ao presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, o líbio Ali Treki.

"Apesar da intenção declarada desta missão, nós estamos profundamente preocupados de que a natureza verdadeira dessas ações permaneça duvidosa", escreveu Gabriela Shalev. "Essa missão é completamente sem garantias", escreveu a embaixadora, pedindo que a comunidade internacional garantisse que o navio não partisse.

Os organizadores da missão disseram que o navio contém apenas alimentos e remédios e que está em conformidade com as regras internacionais. Os ativistas no navio são na maioria líbios, segundo os organizadores, e também há um nigeriano e um marroquino. A tripulação inclui cubanos, haitianos, sírios e indianos.

Israel alega que seu bloqueio é necessário para impedir a entrada de armas e materiais que possam ser usados com propósitos militares pelos militantes do grupo Hamas, que governa a Faixa de Gaza.

A ONU diz que o bloqueio gerou uma crise humanitária para os 1,5 milhões de habitantes que vivem em Gaza. Cerca de 1 milhão de palestinos dependem de fornecimentos regulares da ONU e de ajuda internacional trazida por via terrestre após a inspeção israelense.

Após a invasão do navio em maio, fato que causou indignação mundial, Israel anunciou medidas para aliviar o bloqueio e abriu um inquérito sobre o incidente.

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