Navio mercante desaparecido sofreu 2 ataques, afirma UE

Imprensa diz que Arctic Sea foi avistado perto de Cabo Verde; embarcação deveria ter chegado na África dia 4

Associated Press e Efe,

14 de agosto de 2009 | 12h46

O navio mercante desaparecido Arctic Sea pode ter sofrido dois ataques, no que não parece ser uma ação de pirataria "tradicional", disse nesta sexta-feira, 14, um porta-voz da Comissão Europeia (órgão Executivo da União Europeia). A embarcação de bandeira maltesa, que sumiu há mais de duas semanas, teria sido vista perto de Cabo Verde, segundo a agência de notícias russa Itar-Tass e o jornal alemão Financial Times Deutschland.

 

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O cargueiro finlandês com bandeira maltesa desapareceu misteriosamente em 28 de junho, quando cruzava o Canal da Mancha. As comunicações via rádio recebidas indicam que a embarcação teria sido atacada duas vezes, a primeira em águas da Suécia e a segunda em Portugal, informou o porta-voz, Martin Selmayr.

 

Selmayr acrescentou que, segundo as informações disponíveis, os aparentes ataques "não têm nada a ver" com a pirataria ou com o assalto a mão armada em alto-mar tradicionais. Ele acrescentou que a Comissão, que está em contato com os países envolvidos, prefere não fazer mais comentários para "não prejudicar as atividades das autoridades".

 

A embarcação, de bandeira maltesa e tripulação russa, partiu do porto finlandês de Jakobstad em 23 de julho com uma carga de madeira para construção avaliada em US$ 1,8 milhão e deveria ter aportado na Argélia em 4 de agosto. A última informação que se tem do cargueiro é de 31 de julho, quando um avião da guarda litorânea portuguesa o viu navegando pelo oceano Atlântico. Desde então o paradeiro do navio é desconhecido.

 

O jornal alemão "Financial Times Deutschland" e a agência de notícias russa Itar-Tass asseguraram que o navio tinha sido avistado esta manhã nas proximidades de Cabo Verde. A agência russa atribuiu a informação a fontes na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Já o diário alemão citou duas fontes não identificadas. Um porta-voz da Otan disse que a aliança monitora a situação, mas não participa nas buscas. O funcionário não confirmou que a embarcação tenha sido avistada.

 

O mistério começou em 24 de julho, quando os tripulantes do Arctic Sea afirmaram ter sido amarrados e agredidos por um grupo de cerca de dez homens que subiu na embarcação, na ilha sueca de Oland. Os homens mascarados se identificaram como policiais, mas a polícia sueca negou que tenha atuado naquela área. O investigador da polícia sueca Ingemar Isaksson afirmou que a tripulação alegou que os homens deixaram o navio 12 horas depois, em botes infláveis de alta velocidade. "Eu nunca ouvi sobre nada parecido em águas suecas", disse Isaksson.

 

A especulação sobre o que ocorreu já gerou várias teorias, entre elas a de que a embarcação levaria alguma carga secreta, ou mesmo um caso de pirataria em águas europeias.

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