Negociações entre Sérvia e Kosovo fracassam

Líderes kosovares não abrem mão da independência e recusam autonomia oferecida pelos sérvios

Efe,

28 de novembro de 2007 | 10h48

As negociações entre sérvios e albano-kosovares sobre o futuro do Kosovo fracassaram definitivamente, segundo confirmou nesta quarta-feira, 28, o presidente kosovar, Fatmir Sejdiu. O grupo formado por Estados Unidos, Rússia e União Européia (UE) também reconheceu o fracasso definitivo de suas tentativas de mediação entre Belgrado e Pristina sobre o status final da província do Kosovo. Enquanto os sérvios continuam oferecendo um máximo de autonomia para a conflituosa província, os albano-kosovares insistem em sua independência, que pode ser proclamada de forma unilateral a partir de 10 de dezembro, prazo imposto pela ONU para o processo negociador. "Infelizmente não houve acordo. A independência do Kosovo é o início e o fim de nossa visão", afirmou Sejdiu, acrescentando que não haverá mais conversas com Belgrado sobre o status final da província. O presidente não quis anunciar quando o Kosovo declarará sua independência, mas esclareceu que "será em breve".O futuro primeiro-ministro do Kosovo, o ex-líder guerrilheiro Hashim Thaçi, disse que "as conversas terminaram hoje". Em todo caso, o futuro premiê afirmou que Pristina "respeitará a agenda até 10 de dezembro" e que depois suas ações "serão coordenadas" com os Estados Unidos e a União Européia. O mediador europeu, o diplomata alemão Wolfgang Ischinger, disse que, "infelizmente, as partes não foram capazes de alcançar um acordo sobre o status final do Kosovo". Ele acrescentou que a conferência de três dias em Baden, ao sul de Viena, que terminou nesta quarta sem acordo, "marca o fim do processo negociador entre as partes". Um dos líderes do grupo negociador do Kosovo, Veton Surroi, destacou que Belgrado se comprometeu a não usar a violência após o fracasso das conversas. "É a primeira vez que temos esta garantia", afirmou Surroi, que assegurou que as partes se comprometeram a que "os próximos dias não sejam dias de violência". "Nós buscamos a cooperação com Belgrado. Se não veio hoje, virá em cinco ou dez anos", afirmou o representante kosovar após o fim da conferência de três dias em Baden, ao sul de Viena. Em comunicado emitido, os três países anunciaram que começarão a escrever o texto do relatório que apresentarão em 10 de dezembro ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, sobre este último processo negociador, de quatro meses. Sérvia e Kosovo negociaram quase dois anos sobre o futuro status da conflituosa província, sem conseguir aproximar suas posições, que até o fim demonstraram ser diametralmente opostas. Desde o fim da guerra do Kosovo, em 1999, o território no sul da Sérvia esteve sob administração interina das Nações Unidas, à espera da definição de seu estatuto definitivo. Os albano-kosovares, que são 90% dos 2 milhões de habitantes do Kosovo, reivindicam a independência, o que a Sérvia rejeita, alegando que uma soberania da província violaria sua integridade territorial e, com isso, o direito internacional.

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