Negociações sobre resgate da Grécia continuam pelo 2o dia

Os líderes da Grécia realizavam neste domingo o segundo dia de negociações e conversas nos bastidores para tentar quebrar o impasse político que ameaça colocar a nação afundada em dívidas mais perto da falência e fora da zona do euro.

DINA KYRIAKIDOU AND KAROLINA TAGARIS, REUTERS

06 de novembro de 2011 | 10h29

O presidente da Grécia já apelou por cooperação para resolver a crise política depois de uma semana tumultuada, na qual o primeiro-ministro, George Papandreou, primeiro anunciou e depois descartou um plano de realizar um referendo sobre o pacote de resgate da zona do euro, enfraquecendo bastante seu controle do poder.

Com o dinheiro em caixa devendo durar apenas pouco mais de cinco semanas, a Grécia se afundou em mais uma onda de incertezas, já que tanto os socialistas no poder quanto os conservadores de oposição apresentaram planos rivais para resolver o impasse.

Para Papandreou, apenas um governo de coalizão no poder há pelo menos vários meses pode colocar a Grécia no caminho para uma salvação nacional e garantir uma linha vital financeira de credores internacionais antes que o dinheiro se esgote.

Mas a oposição conservadora, liderada por Antonis Samaras, rejeitou a ideia, apresentando sua proposta competitiva de eleições rápidas e exigindo a renúncia de Papandreou após dois anos de turbulências econômicas, políticas e sociais.

"Mesmo agora, esperamos e desejamos que o Sr. Samaras mude sua posição," disse Angelos Tolkas, vice-porta-voz do governo, à televisão grega. "O país não pode arcar com ficar sem governo. E estamos correndo contra o tempo."

O presidente Karolos Papoulias, que se reúne com Samaras para conversas neste domingo, insistiu que os lados opostos superassem as diferenças e trabalhassem para resolver a crise que pode prejudicar a fé internacional em todo o projeto do euro.

"O consenso é o único caminho," disse Papoulias ao primeiro-ministro quando esteve no palácio presidencial para lançar sua tentativa de um governo de coalizão no sábado.

O que está em jogo imediato é o destino do pacote de resgate da Grécia de 130 bilhões de euros, decidido por líderes da zona do euro para manter Atenas funcionando e restabelecer a confiança nos mercados financeiros globais de que os países do bloco da moeda única podem lidar com uma crise que pode abater economias muito maiores, como Itália e Espanha.

Os jornais estão abarrotados de especulações sobre vários cenários que podem emergir das negociações, com o diário Kathimerini chamando de "Pechinchando em cima do Titanic."

O gabinete socialista de Papandreou deve se reunir informalmente no domingo, uma vez que o partido PASOK busca apoio entre os partidos menores, com o ministro das Finanças, Evangelos Venizelos, desempenhando um papel de liderança.

Há apenas uma semana, o acordo de resgate parecia estar garantido, mas, então, o primeiro-ministro jogou uma bomba ao anunciar que faria uma votação popular sobre o pacote - que exige outra rodada de medidas de austeridade sobre a população grega.

Com a ameaça de que o acordo pudesse não ser aceito, Alemanha e França disseram a Papandreou que a Grécia não receberia um centavo a mais de ajuda se não cumprisse seu lado do acordo.

Papandreou voltou atrás no referendo, mas apenas depois que a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmaram que a Grécia precisava tomar uma decisão sobre se queria permanecer no euro ou não.

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