Negócios de Blair dificultam sua candidatura à presidência da UE

Ex-primeiro-ministro britânico passa mais tempo viajando e fazendo negócios que no próprio continente

Efe,

30 de outubro de 2009 | 11h44

A possibilidade de o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, ser designado para a presidência da União Europeia é complicada pelo fato de o britânico ter uma complexa rede de negócios e fundações, segundo informa nesta sexta-feira, 30, o diário Financial Times. O jornal investigou as atividades do ex-premiê e constatou que ele gasta muito pouco tempo na europa.

 

Somente neste ano, Blair visitou mais de vinte países, desde o leste da Ásia até a África Central, e alguns deles mais de uma vez, segundo o Financial Times. Entre seus interlocutores estão políticos polêmicos como o presidente de Ruanda, Paul Kagame; do Afeganistão, Nursultan Nazarbayev; e o da Líbia, Muamar Kadafi.

 

De acordo com o jornal britânico, seu papel de enviado do Quarteto ao Oriente Médio - formado pelo Reino Unido, pelos EUA, pela Rússia e pela ONU - é o único de caráter público, e ao qual dedica pelo menos dez dias de cada mês. Ainda assim, destaca o Times, "algumas de suas obrigações diplomáticas ocorreram em paralelo aos seus interesses comerciais na região".

 

Sua principal prioridade ao viajar pela península arábica e pela Ásia foi recolher dinheiro para o desenvolvimento palestino, mas cada vez que lhe pareceu apropriado, diz o jornal, "aproveitou a oportunidade para divulgar suas organizações e empresas a seus interlocutores".

 

Até agora, a Tony Blair Associates assinou contratos de assessoria com o governo do Kuwait e com o Mubadala, um dos mais ativos fundos de investimento dos Emirados Árabes Unidos. Blair também assessora alguns bancos como o Zurique Financial ou o JP Morgan, motivo pelo qual viajou para Trípoli e se reuniu com os líderes líbios.

 

O jornal aponta ainda que Blair é presidente de várias organizações beneficentes, que não são obrigadas a revelar suas fontes de financiamento, e que, por isso, é difícil saber se suas atividades se misturam com outras tarefas desenvolvidas pelo ex-primeiro-ministro britânico em diferentes partes do mundo.

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