Neonazistas fazem ato em memória às vítimas de Dresden

Cerca de 5 mil neonazistas se reuniram na cidade de Dresden, na Alemanha, neste sábado para participarem de passeata fúnebre às vítimas alemãs do ataque aéreo aliado que devastou a cidade barroca 65 anos atrás.

DIRK MUELLER-THEDERAN, REUTERS

13 de fevereiro de 2010 | 15h26

Nos últimos anos, o aniversário da destruição de Dresden, no qual 25 mil pessoas foram mortas, tem se tornado foco da atenção de neonazistas que descrevem o cobertor de bombas despejado sobre a cidade como "holocausto do bombardeio".

Cerca de 7 mil pessoas devem participar da passeata este ano, que deve se tornar a maior marcha de ultradireita da Alemanha desde 1945.

A polícia teme que choques com os milhares de manifestantes antinazismo, 10 mil dos quais que formaram uma corrente humana no centro da cidade para lembrar as vítimas da guerra iniciada pela Alemanha e para mostrar a oposição aos grupos de extrema direita.

Cerca de 5 mil policiais foram trazidos de toda a Alemanha para ajudar a manter a ordem.

"O clima está muito quente entre os dois grupos e nós enfrentamos uma tarefa muito difícil hoje", afirmou um porta-voz da polícia.

Na estação ferroviária de Neustadt, em Dresden, onde trens cheios de judeus foram enviados ao campo de concentração de Auschwitz, várias centenas de neonazistas, vestidos de preto, se reuniram.

Alguns seguravam bandeiras alemãs de antes da guerra e uma voz gritando "Força e Honra" ecoava de alto-falantes.

"Estamos reunidos para lembrar um dos maiores crimes de guerra da Segunda Guerra Mundial", afirmou Kai Pfuerstinger, vice-diretor do grupo de ultradireita JLO Youth Corps East Germany, à multidão.

Os bombardeios em Dresden aplainaram a cidade em 13 de fevereiro de 1945, quando a derrota dos nazistas de Hitler era iminente.

Os ataques, promovidos por bombardeios dos Estados Unidos e da Inglaterra, usaram bombas incendiárias que criaram um inferno que varreu as ruas da cidade, queimando e derretendo prédios e pessoas.

"A data de 13 de fevereiro é abusada pela direita que faz alusão a ela como um mito de sacrifício", disse Wolfhart Goll, da Nazi Free Alliance, em Dresden. "É importante que nos posicionemos contra os nazistas. Queremos interromper a passeata e tirar a diversão deles para que não voltem."

Somente na última década é que Dresden recuperou sua antiga glória, com sua série de tesouros culturais.

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