Joel Saget/AP
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No Afeganistão, Hollande defende saída antecipada das tropas

Presidente foi criticado na cúpula da Otan por acelerar retirada de soldados franceses presentes no país

MIRWAIS HAROONI, REUTERS

25 Maio 2012 | 09h34

CABUL - O presidente da França, François Hollande, fez nesta sexta-feira, 25, uma viagem surpresa ao Afeganistão, onde encontrou alguns dos soldados franceses que ele pretende retirar do país ainda neste ano, e defendeu essa decisão em reunião com o presidente local, Hamid Karzai.

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Hollande foi duramente criticado durante a cúpula da Otan, no fim de semana passado, por acelerar a retirada dos cerca de 3.400 soldados franceses presentes no Afeganistão. O governo francês pretende retirá-los até o final de 2012, dois anos antes do prazo previsto no cronograma da aliança militar ocidental.

"A missão de combater o terrorismo e perseguir o Taliban está perto de ser cumprida, e isso é algo que de podemos nos orgulhar muito", disse Hollande a jornalistas nos jardins do palácio presidencial afegão.

"Vamos permanecer no Afeganistão, mas com um papel diferente, nossa cooperação vai focar nas frentes civis", afirmou.

A retirada era uma promessa eleitoral de Hollande, apesar de a Otan só prever a desocupação no final de 2014. Críticos disseram que isso pode estimular outros países a também anteciparem a saída, entregando prematuramente a segurança do Afeganistão às precárias forças locais.

Durante a recente cúpula da Otan, a chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, disse que os envolvidos deveriam seguir a atual estratégia da aliança, de "entrar juntos e sair juntos".

Cerca de 2.000 soldados franceses devem sair neste ano, e os demais devem assumir tarefas de apoio, treinamento e cuidados com os equipamentos. A França tem 14 helicópteros, 900 veículos e 1.400 contêineres, que precisam ser retirados por via aérea ou terrestre.

Em visita a um quartel na instável província de Kapisa, Hollande agradeceu aos soldados franceses pelo que fizeram pela França e pelo Afeganistão, e prometeu uma retirada "ordeira... em estreita coordenação com os aliados da França".

Ele também prestou homenagem aos 83 soldados franceses mortos em mais de dez anos de guerra. "Chegou a hora da soberania afegã. A ameaça terrorista que tinha nosso território como alvo não desapareceu completamente, mas foi parcialmente suprimida", disse Hollande.

A França foi chamada a contribuir com quase 200 milhões de dólares por ano para um fundo de longo prazo para o Afeganistão, parte de um valor anual de 4,1 bilhões de dólares destinado a manter as forças afegãs depois de 2014. Mas Hollande deixou claro que não irá liberar nenhum dinheiro enquanto não houver clareza sobre como a verba será gerida.

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