Nobel para Obama 'consagra retorno da América', diz Sarkozy

Definição reflete a esperança da Europa com presidente dos EUA e a reverência aos valores que ele representa

Andrei Netto, de O Estado de S. Paulo,

09 de outubro de 2009 | 10h34

Mais do que inspirar felicitações formais, a escolha do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pelo Comitê Nobel, na Noruega, foi saudada na Europa como uma reverência à América e aos valores que o eleito representa: a liberdade, a igualdade de oportunidades e a busca por uma ordem mundial multilateral e pacífica. Ninguém melhor do que o chefe de Estado da França, Nicolas Sarkozy, definiu o sentimento europeu sobre Obama. O Prêmio Nobel da Paz, saudou, "consagra o retorno da América ao centro de todos os povos do mundo".

 

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A reação de Sarkozy reflete uma expectativa aberta pela eleição norte-americana em 2008 - e que, aos poucos, vinha esvaecendo no Velho Mundo: a de que Obama devolvesse os Estados Unidos à liderança e fosse o grande emissário dos valores do Ocidente.

 

Há um ano, a ascensão política do democrata reacendeu na Europa a esperança de mais democracia e mais diálogo internacional. Porém, as dificuldades de Obama para se impor no plano interno já despertavam dúvidas sobre a real capacidade de sua administração de avançar em temas cruciais: o fim da guerra no Iraque, o a reorientação do combate ao terrorismo no Afeganistão, a reforma das instituições internacionais, a revalorização dos Direitos Humanos. Há 10 dias, Sarkozy definira Obama como "um presidente à frente de seu tempo". Nas entrelinhas, o francês parecia dizer: "à frente dos norte-americanos de seu tempo".

 

A Europa não esperava a escolha de Obama. Embora a lista do Comitê Nobel fosse, como de praxe, um segredo de Estado, nomes como o do ex-chanceler alemão Helmut Kohl, artífice da unificação de seu país há 20 anos, após a Queda do Muro de Berlim, e do dissidente chinês Hu-Jia, opositor ao Partido Comunista, eram personalidades especuladas pela imprensa da União Europeia. Mesmo Morgan Tsvangirai, o líder sindical e oposicionista do Zimbábue alçado ao cargo de primeiro-ministro, ou o médico Denis Mukwege, respeitado por dedicar sua vida ao tratamento de vítimas de violência sexual na guerra civil, não surpreenderiam.

 

Já a escolha de um terceiro político norte-americano egresso do Partido Democrata - o ex-presidente Jimmy Carter já havia vencido em 2002, e ex-vice-presidente Al Gore fora laureado em 2007 - poderia despertar controvérsia no meio político. Ao contrário, o nome de Obama acabou saudado pela imprensa e pela grande parte do meio político da Europa tão logo foi anunciado basicamente por um motivo: a esperança de que o prêmio porque fortaleça sua imagem e lhe permita avançar.

 

Chefe de governo da maior potência do continente, a Alemanha, Angela Merkel saudou a escolha, definindo-a como uma "incitação para o presidente e para todos nós". Em Paris, Sarkozy foi ainda mais incisivo ao felicitar "os esforços extraordinários (empreendidos por Obama) em favor do reforço da diplomacia e da cooperação internacional". "O prêmio faz Justiça à sua visão em favor da tolerância e do diálogo entre os Estados, as culturas e as civilizações."

 

Personalidades como o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso e o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei, também se sucederam em saudações no mesmo sentido.

 

Na África, Nelson Mandela, outro Nobel da Paz, lembrou a legitimidade que Obama desfrutará para empreender seus projetos. "É certo que o prêmio reforçará seus engajamentos, como líder da nação mais importante do mundo, para continuar a promover a paz e o fim da pobreza." Desmond Tutu, arcebispo sul-africano e Prêmio Nobel da Paz em 1984 por sua luta contra o Apartheid, se disse surpreso e "maravilhado". "Ele traz esperanças ao mundo."

 

As reações positivas, no entanto, não foram de unânimes. Prêmio Nobel da Paz de 1993, o ex-líder sindical do movimento Solidariedade e ex-presidente da Polônia, Lech Walesa, fez eco às mesmas dúvidas que pairavam, cada vez mais forte, sobre Obama. "Rápido demais!", exclamou à agência France Presse (AFP). "Ele não teve tempo de fazer nada. Até aqui, teve apenas o tempo de propor ideias. Walesa também especulou uma resposta para a iniciativa do comitê norueguês. "Às vezes o Comitê Nobel dá seu prêmio para encorajar uma ação responsável. Então, vamos dar uma chance a Obama."

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